Descoberta estrela mais rápida de sempre: viaja a 90 milhões de quilómetros por hora
- 19/08/2026 11:58
- Redação
Segundo a Reuters, a S301 tem cerca de 50% mais massa e é cinco vezes mais brilhante do que o Sol. A estrela desloca-se a velocidades que chegam aos 90 milhões de quilómetros por hora, o equivalente a mais de 8% da velocidade da luz.
De acordo com os investigadores, citados pela agência de notícias, nunca foi observada outra estrela, na Via Láctea ou noutra galáxia, a atingir uma velocidade semelhante.
A S301 segue uma órbita altamente elíptica em torno de Sagittarius A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. Completa uma volta em cerca de 8,7 anos.
No ponto de maior aproximação, a estrela fica a cerca de 11,5 vezes a distância média entre a Terra e o Sol, uma unidade conhecida como unidade astronómica. Ou seja, aproxima-se do buraco negro a uma distância pouco superior àquela a que Saturno orbita o Sol.
No ponto mais afastado da sua trajetória, a S301 chega a estar a cerca de 1.360 unidades astronómicas de Sagittarius A*.
Os buracos negros são objetos de enorme densidade, com uma força gravitacional tão intensa que nem a luz consegue escapar.
Sagittarius A* tem uma massa equivalente a cerca de quatro milhões de vezes a massa do Sol e encontra-se a aproximadamente 26 mil anos-luz da Terra.
Apesar de atualmente estar num estado relativamente calmo, a força gravitacional do buraco negro é enorme e pode capturar estrelas ou outro material que se aproxime demasiado.
Os investigadores garantem, contudo, que S301 não corre risco de ser engolida pelo buraco negro.
“A sua órbita não vai decair tão cedo. Portanto, a orientação da órbita vai mudar, mas não está em perigo de ser engolida”, explicou o astrofísico Stefan Gillessen, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, um dos responsáveis pelo estudo publicado esta quarta-feira na revista Nature, citado pela Reuters.
A S301 é, até agora, a estrela conhecida que mais perto orbita Sagittarius A*. Os investigadores acreditam que a sua trajetória invulgar poderá ter origem na interação com o buraco negro.
Segundo Gillessen, a estrela terá feito originalmente parte de um sistema binário, juntamente com outra estrela ligada gravitacionalmente.
Em determinado momento, as duas estrelas terão passado demasiado perto do buraco negro. A interação gravitacional entre os três objetos terá provocado uma alteração radical das suas trajetórias.
“Uma estrela é lançada para fora do centro da Via Láctea a grande velocidade e chega mesmo a abandonar a galáxia. A outra fica presa para sempre numa órbita próxima do buraco negro. Essa é a S301”, explicou o investigador.
A S301 foi observada através do Very Large Telescope Interferometer, do Observatório Europeu do Sul, instalado no Chile.
A influência contínua de Sagittarius A* sobre a estrela poderá permitir aos cientistas compreender melhor o buraco negro e, sobretudo, medir a sua rotação.
“Sabemos atualmente muito pouco sobre a rotação de Sgr A*”, afirmou Felix Mang, coautor do estudo e investigador de doutoramento no Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, também citado pela agência de notícias britânica.
Os cientistas acreditam que os buracos negros rodam a velocidades extremamente elevadas, provocando uma deformação do próprio espaço-tempo à sua volta. Confirmar diretamente essa rotação é, contudo, difícil, uma vez que os buracos negros não emitem nem refletem luz.
“Só conseguimos observar a sua rotação através do efeito que exerce sobre o espaço à sua volta”, explicou Gillessen.
A trajetória da S301 poderá ser particularmente importante porque a estrela passa suficientemente perto de Sagittarius A* para sentir os efeitos da sua rotação.
“Não é uma oscilação — como um movimento para a frente e para trás —, mas a estrela é empurrada para uma órbita ligeiramente diferente cada vez que passa pelo buraco negro”, explicou o investigador.
Segundo Gillessen, a observação dessa alteração orbital durante a próxima década poderá permitir determinar diretamente a rotação do buraco negro, algo que, até agora, nunca foi conseguido.