Farmacêuticas anunciam "resultados positivos" para vacina experimental contra melanoma

Farmacêuticas anunciam "resultados positivos" para vacina experimental contra melanoma

  • 19/08/2026 13:53
  • Redação

As farmacêuticas Merck e Moderna anunciaram esta quarta-feira "resultados positivos" da última fase de ensaios clínicos para uma vacina experimental dirigida a doentes com melanoma, um tipo de cancro da pele, em estado avançado.

"Trata-se do primeiro anúncio de resultados positivos da fase 3 (...) para uma terapia anticancerígena à base de ARNm [ARN mensageiro]", salientam em comunicado os dois laboratórios, sem dar dados estatísticos sobre o ensaio, que envolveu mais de 1.100 participantes.

Segundo as empresas farmacêuticas, a vacina experimental permitiu melhorar de maneira "estatisticamente significativa" a sobrevida, sem recaída, de doentes com melanoma em estado avançado e operados previamente.

Concebida a partir de mutações genéticas específicas do tumor de cada doente, a vacina visa ativar o sistema imunitário do doente para que reconheça e ataque as células cancerígenas.

A terapia personalizada, combinada com imunoterapia, baseia-se na tecnologia de ARNm, que consiste em instruir as células do corpo a fabricarem proteínas capazes de desencadear uma resposta imunitária.

A mesma tecnologia foi usada pela farmacêutica Moderna para produzir em grande escala uma vacina contra a covid-19 durante a pandemia.

A fase 3 de um ensaio clínico é a fase decisiva que antecede os pedidos de autorização aos reguladores do medicamento para a comercialização de um fármaco ou vacina e visa confirmar a sua eficácia e segurança.

A vacina — que constitui um tratamento personalizado — poderá ser difícil de produzir e de escalar comercialmente. Ainda assim, o presidente da Moderna, Stephen Hoge, afirmou que a Moderna está confiante de que conseguirá responder à procura nos próximos anos.

Karen Knudsen, CEO do Instituto Parker para Imunoterapia do Cancro, considera que os resultados podem significar uma nova era no tratamento de tumores sólidos.

“Este resultado positivo coloca-nos verdadeiramente na próxima fase da imunoterapia", afirmou Knudsen. “É um começo auspicioso — é aqui que as coisas começam.”

Os resultados representam uma inversão de tendência para a Moderna, que tem enfrentado dificuldades em desenvolver novos produtos para além da vacina contra a Covid-19 e sofreu críticas à sua tecnologia de mRNA por parte da administração do Presidente Donald Trump.

As ações da Moderna dispararam para máximos de vários anos, acrescentando quase 40 mil milhões de dólares à capitalização bolsista da empresa.

A Merck valorizou 11%, perante a expectativa de que a vacina possa ampliar as suas perspetivas na área do cancro, numa altura em que o Keytruda, que chegou a ser o medicamento mais vendido do mundo, se aproxima do fim da proteção de patente, previsto para o final desta década.

Os resultados do ensaio atraíram também o interesse de novos investidores pelo setor biotecnológico em geral. O Nasdaq Biotechnology Index (.NBI) subiu 4,4%, para um máximo histórico, enquanto o índice de referência S&P 500 (.SPX) avançou 0,4%.

A vacina — que constitui um tratamento personalizado — poderá ser difícil de produzir e de escalar comercialmente. Ainda assim, o presidente da Moderna, Stephen Hoge, afirmou que a Moderna está confiante de que conseguirá responder à procura nos próximos anos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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