Exército de Israel admite ter disparado contra carro onde seguia Hind Rajab, menina de cinco anos morta em Gaza
- 19/08/2026 15:46
- Redação
As forças armadas de Israel admitem, pela primeira vez, que os seus soldados abriram fogo sobre a viatura onde seguia Hind Rajab, uma menina palestiniana de cinco anos que morreu juntamente com seis familiares.
O caso aconteceu em 2024, na Faixa de Gaza. As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla inglesa) vão agora abrir uma investigação criminal.
O inquérito vai abranger a morte de Hind Rajab, da sua família e dos paramédicos que a tentaram socorrer.
Hind Rajab sobreviveu ao ataque inicial das tropas israelitas e conseguiu pedir ajuda através do telemóvel.
O impasse durou várias horas e uma ambulância tentou chegar à menina, numa operação coordenada com o Exército israelita.
No entanto, a viatura de emergência acabou por ser bombardeada, provocando a morte de dois paramédicos.
O corpo da pequena Hind Rajab acabaria por ser recuperado dias depois, juntamente com os dos seus familiares.
Um filme sobre a morte de Hind Rajab venceu o Leão de Prata no Festival de Cinema de Veneza e foi nomeado para um Óscar.
Esta quarta-feira, foram divulgadas decisões relativas a cinco incidentes que envolveram a morte de palestinianos.
As forças armadas vão também investigar a morte de 15 palestinianos, incluindo médicos e funcionários da ONU, encontrados numa vala comum, no sul da Faixa de Gaza.
Os militares afirmaram que as decisões relativas às investigações surgiram na sequência de averiguações realizadas pelo seu Mecanismo de Apuramento de Factos e Avaliação.
Entre os casos analisados está, também, a morte de sete trabalhadores humanitários da organização World Central Kitchen, em abril de 2024. Sobre esse incidente, os militares afirmaram não existir “suspeita razoável de conduta criminosa que justificasse a abertura de uma investigação criminal”.
Organizações israelitas de defesa dos direitos humanos afirmam que as investigações por alegada conduta criminosa de militares israelitas relacionadas com a morte de palestinianos raramente resultam em condenações.