Fogo de Arouca já consumiu 1.300 hectares mas aldeias estão fora de perigo
- 19/08/2026 17:05
- Redação
As aldeias que nos últimos dias estiveram a exigir mais cautela já não estão sob qualquer perigo, disse à Lusa o comandante Ricardo Fradique, que ao final da tarde chefiava as operações contra o incêndio que deflagrou às 21h50 de segunda-feira em Bouceguedim, na freguesia de Moldes, no referido concelho do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto.
A presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém, realçou que para isso contribuíram os moradores dos próprios povoados sob especial vigilância.
As comunidades destas aldeias estavam confinadas, mas foram muito cooperantes. Também são agentes da Proteção Civil, ajudaram os bombeiros e apoiaram todas as iniciativas necessárias, afirmou.
Quanto à restante área ardida, adiantou Ricardo Fradique, na manhã desta quarta-feira a situação esteve mais favorável, mas depois complicou-se devido ao surgimento de pequenos reacendimentos, o que implicou o reforço dos meios aéreos ao longo da tarde, dada a irregularidade do terreno com grandes declives e difíceis acessos.
Na zona sul, havia pouca visibilidade devido ao fumo, portanto as operações incidiram mais sobre a secção norte e agora o incêndio está finalmente a ceder aos meios, afirma, realçando que a temperatura em Arouca era ao fim da tarde desta quarta-feira muito mais baixa do que a registada pela mesma altura nos dois dias anteriores.
Mesmo assim, o incêndio que teve início no concelho com 219 quilómetros quadrados – 85% dos quais de área florestal – continuava esta quarta-feira às 20h00 com três frentes ativas: uma em Covêlo de Paivó, outra na zona de Cabreiros e Tebilhão, e uma terceira no Candal, já no concelho vizinho de São Pedro do Sul, no distrito de Viseu.
Quanto aos meios mobilizados para o combate ao fogo, que só esta quarta-feira terá destruído cerca de 600 hectares, Ricardo Fradique referiu que às 20h00 seriam uns 510 homens os que estavam efetivamente no terreno, embora o site da Proteção Civil indicasse, pela mesma hora, 589 operacionais, 191 viaturas e ainda cinco meios aéreos.
Fonte hospitalar informou que todos esses bombeiros constituem casos de politrauma grave. Um dos doentes será submetido a intervenção cirúrgica num curto espaço de tempo e outro encontra-se internado na Unidade de Cuidados Intensivos, sob vigilância multidisciplinar. Um terceiro encontra-se em avaliação pela equipa cirúrgica e o quarto, que apresenta uma situação clínica de particular gravidade, está sob acompanhamento das várias equipas médicas envolvidas.
A mesma fonte do hospital-sede da Unidade Local de Saúde (ULS) do Entre Douro e Vouga adianta que essa estrutura também tem assegurado acompanhamento às famílias das vítimas, inclusive apoio psicológico, e está a desenvolver esse trabalho em articulação com as equipas envolvidas na resposta à ocorrência.