Guterres condena "declarações perigosas" de Ben-Gvir sobre Gaza

Guterres condena "declarações perigosas" de Ben-Gvir sobre Gaza

  • 19/08/2026 19:41
  • Redação

"Tais afirmações são consternadoras. São escandalosas. São desumanizantes e perigosas. E nós condenamo-las inequivocamente", declarou o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, na sua conferência de imprensa diária.

"Acho que deveriam ser realizados assassínios seletivos todas as noites em Gaza. Matem 30 ou 40 deles", declarou.

"Não apenas aqueles que vos estão a colocar em perigo agora. São pessoas que não deveriam estar vivas", prosseguiu, acrescentando: "Estou a fazer-lhes um elogio ao classificá-los como seres humanos".

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, considerou também esta quarta-feira "insuportáveis e desumanas" tais afirmações, igualmente condenadas pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, que as classificou como "inaceitáveis".

Figura proeminente da extrema-direita israelita que continua a gerar controvérsia com as suas declarações violentamente anti-árabes, Itamar Ben-Gvir foi já proibido de entrar em França depois da divulgação de um vídeo que mostrava ativistas da "flotilha para Gaza" ajoelhados e com as mãos amarradas.

O cessar-fogo de 10 de outubro de 2025 visava pôr fim a dois anos de guerra israelita na Faixa de Gaza, desencadeada pelo ataque de 7 de outubro de 2023 do movimento islamita palestiniano Hamas a Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.

Mas, desde a entrada em vigor do cessar-fogo, o Exército israelita continuou a abrir fogo sobre civis palestinianos e o número de vítimas não parou de aumentar.

Pelo menos 1.262 palestinianos foram mortos na Faixa de Gaza desde o início da trégua, segundo as autoridades do enclave palestiniano, cujos números a ONU considera fidedignos.

No total, até agora, a guerra iniciada por Israel no enclave palestiniano fez, pelo menos, 73.381 mortos e 174.231 feridos, além de ter causado uma catástrofe humanitária, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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