Coreia do Norte dispara 10 mísseis balísticos. Coreia do Sul em prontidão total
- 20/08/2026 06:40
- Redação
O gabinete presidencial da Coreia do Sul condenou o lançamento, na quinta-feira, de mais de 10 mísseis balísticos de curto alcance pela Coreia do Norte e ordenou às suas Forças Armadas que mantivessem a prontidão total durante os exercícios conjuntos em curso com os Estados Unidos.
Segundo a Agência Reuters, o gabinete presidencial convocou uma reunião de segurança de emergência, da qual participaram responsáveis do Ministério da Defesa e autoridades militares, depois de a Coreia do Norte ter disparado os mísseis a partir da zona de Pyongyang em direção ao mar a leste da Península Coreana, informou num comunicado.
“O lançamento de mísseis balísticos é um ato grave que viola as resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou, apelando à Coreia do Norte para que cessasse imediatamente tais ações.
As autoridades analisaram a postura de resposta da Coreia do Sul, avaliaram as implicações de segurança dos lançamentos e discutiram as medidas necessárias, informou o gabinete.
Os mísseis percorreram cerca de 300 quilómetros em direção ao mar, segundo o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul.
O governo e a guarda costeira do Japão também afirmaram que a Coreia do Norte teria disparado um míssil balístico em direção ao mar. A guarda costeira japonesa indicou que o projétil já tinha caído.
Já a NHK avança que o míssil parece ter caído no mar, fora da zona económica exclusiva do Japão.
O lançamento ocorre num momento em que os exercícios militares da Coreia do Sul e dos EUA foram encurtados, com conclusão prevista para sexta-feira, depois de o presidente Donald Trump ter ordenado uma redução substancial da participação norte-americana e afirmado que pretendia retomar a diplomacia com o líder norte-coreano Kim Jong Un.
Kim Yo Jong, irmã de Kim Jong Un, afirmou na quarta-feira que a "política hostil" dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte não tinha mudado, uma vez que os exercícios ainda estavam a decorrer.
Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos da Coreia do Norte, em Seul, afirmou que o lançamento parecia ter como objetivo sublinhar que o aviso de Kim Yo Jong, proferido no dia anterior, “não era mera retórica”.
Afirmou que o lançamento provavelmente serviu vários objetivos, incluindo sinalizar oposição aos exercícios militares entre a Coreia do Sul e os EUA, expressar descontentamento com as recentes discussões sobre o arsenal nuclear da Coreia do Norte e alertar as potências externas contra especulações sobre os assuntos de segurança de Pyongyang.
“É uma mensagem de que as questões relativas à segurança da Coreia do Norte devem ser decididas pela própria Coreia do Norte”, disse Yang, acrescentando que o lançamento também poderia ter sido utilizado para testar sistemas de mísseis melhorados.
O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, que visitou Seul esta semana, instou a Coreia do Sul a não tomar partido entre Pequim e Washington, afirmando que os EUA deveriam abandonar a sua política “hostil” em relação à Coreia do Norte para aliviar as tensões na Península Coreana.