Fundador da Evergrande condenado a prisão perpétua na China
- 20/08/2026 14:16
- Redação
O fundador do Grupo China Evergrande, o promotor imobiliário mais endividado do mundo, foi condenado esta quinta-feira a prisão perpétua por um tribunal chinês.
A sentença foi conhecida cinco anos depois do colapso da empresa ter abalado a economia e os mercados financeiros do país.
Hui Ka Yan, que em tempos foi o homem mais rico da Ásia, declarou-se culpado, em abril, de oito crimes, incluindo apropriação indevida de fundos, fraude na captação de financiamento, aceitação ilegal de depósitos públicos, concessão ilegal de empréstimos, emissão fraudulenta de valores mobiliários e suborno.
A Evergrande, que já foi a principal promotora imobiliária da China, entrou em incumprimento relativamente à maioria das suas responsabilidades, avaliadas em 300 mil milhões de dólares. Os problemas da empresa simbolizam uma crise no setor imobiliário que há muito penaliza a segunda maior economia do mundo.
A sentença, proferida na cidade de Shenzhen, no sul da China, inclui o confisco de todos os bens pessoais de Hui e põe fim à sua história de ascensão da pobreza à riqueza. No entanto, é pouco provável que traga grande alívio aos credores nacionais e estrangeiros da Evergrande.
Nas imagens divulgadas pelo tribunal, Hui, de 67 anos e já com os cabelos grisalhos, surge ladeado por dois agentes e vestido com uma camisa azul-marinho de mangas compridas e gola, enquanto o tribunal lia a sentença.
“Os atos criminosos do Evergrande Group, da Hengda Real Estate e de Hui Ka Yan (...) envolveram montantes particularmente elevados e circunstâncias graves, causaram perdas económicas particularmente significativas e provocaram danos sociais particularmente graves, pelo que devem ser severamente punidos nos termos da lei”, afirmou o tribunal num comunicado.
Além da condenação de Hui, o tribunal anunciou multas milionárias à Evergrande e à sua principal subsidiária, a Hengda. Cinco outros altos responsáveis da empresa foram condenados a penas de prisão entre seis e 18 anos e a multas.
No total, 56 pessoas ligadas à Evergrande, além de Hui, foram condenadas esta quinta-feira, segundo a televisão estatal CCTV.
A incapacidade da empresa para reembolsar milhares de milhões de euros investidos em produtos de gestão de património desencadeou protestos que ameaçaram a estabilidade social. Muitos investidores comuns, vários deles com rendimentos baixos, viram os seus investimentos desaparecer.