Portugal junta-se a países europeus para condenar Israel pela expansão de colonatos na Cisjordânia

Portugal junta-se a países europeus para condenar Israel pela expansão de colonatos na Cisjordânia

  • 20/08/2026 19:14
  • Redação

Tal como Alemanha, França, Itália, Países Baixos, Reino Unidos, Noruega e Canadá reafirmaram que se vive "níveis sem precedentes de violência de colonos contra civis e sérias restrições à economia palestiniana", o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português acredita que a construção de 1.200 habitações vai "afastar ainda mais" uma solução de dois Estados com a Palestina.

Centenas de milhares de israelitas instalaram-se entre milhões de palestinianos em territórios conquistados por Israel durante a guerra de 1967.

O ministério liderado por Paulo Rangel garantiu que "Portugal, com a UE e a Comunidade Internacional, não desistirá de apelar a que as partes alcancem uma paz justa, abrangente e duradoura, cumprindo as determinações de direito internacional".

A tomada de posição das potências referia em concreto o projeto de expansão do colonato E1, com cerca de 3.400 unidades habitacionais na Cisjordânia ocupada, numa área de 12 quilómetros quadrados entre o colonato de Ma'ale Adumim e Jerusalém Oriental.

“A decisão do Governo israelita de publicar concursos para projetos de construção no âmbito do projeto de colonatos E1 é inaceitável”, defendeu o grupo no comunicado conjunto.

Na prática, este megaprojeto ameaça dividir em dois a Cisjordânia e a viabilidade do Estado Palestiniano, sustentaram os países subscritores.

Na declaração observaram que "o direito internacional é claro" e que "os colonatos israelitas na Cisjordânia são ilegais", posição que diz estar apoiada reiteradamente pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O projeto E1 foi aprovado em agosto de 2025, apesar de protestos das autoridades palestinianas e da comunidade internacional.

Israel tem em vigor restrições significativas à liberdade de circulação dos palestinianos da Cisjordânia, que têm de obter autorizações para passar pelos postos de controlo e deslocar-se a Jerusalém Oriental ou a Israel. Em muitos casos, são vedados.

Cerca de três milhões de palestinianos vivem na Cisjordânia ao lado de mais de 500 mil israelitas instalados em colonatos, classificados como ilegais pelo direito internacional.

A violência intensificou-se na Cisjordânia desde os ataques liderados pelo grupo islamita palestiniano Hamas no sul de Israel, em 07 de outubro de 2023, com o registo de episódios de confrontos quase diários pela parte de colonos radicais contra a população local, que enfrenta também incursões regulares do exército.

  • Fonte: Rádio Renascença
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