Ébola na RDCongo: surto cresce “exponencialmente” e já matou mais de 2.500 pessoas

Ébola na RDCongo: surto cresce “exponencialmente” e já matou mais de 2.500 pessoas

  • 21/08/2026 07:40
  • Redação

O surto de Ébola na República Democrática do Congo já provocou mais de 2.500 mortes e está a espalhar-se de forma exponencial, numa área superior à dimensão de França, alertou esta sexta-feira o coordenador sénior das Nações Unidas para a doença, Julien Harneis.

Segundo a Reuters, Harneis fez o alerta a partir de Bunia, no nordeste do país, e apelou a um reforço urgente da ajuda internacional. O responsável adiantou que os fundos atualmente disponíveis poderão esgotar-se dentro de poucas semanas.

“O surto de Ébola está a crescer exponencialmente”, afirmou Harneis, citado pela Reuters, sublinhando que a epidemia está a avançar mais rapidamente do que a capacidade de resposta das autoridades e organizações humanitárias.

O atual surto é o 17.º de Ébola registado no Congo e tornou-se, no final de julho, o maior da história do país em número de casos. Em meados de agosto, tinha já ultrapassado o balanço do anterior surto mais grave, registado entre 2018 e 2020.

A epidemia é provocada pela espécie Bundibugyo do vírus Ébola, para a qual não existem atualmente vacinas ou tratamentos aprovados. Estão a ser avaliadas algumas vacinas e terapias experimentais, mas as evidências disponíveis continuam limitadas.

A propagação da doença tem sido agravada pela fragilidade das estruturas de saúde, conflitos armados, dificuldades na deteção dos casos e resistência de algumas comunidades.

A Reuters refere que entre 70% e 80% dos novos casos não têm uma ligação conhecida a outros doentes, um indicador de que o vírus continua a circular sem ser detetado em várias zonas.

De acordo com Julien Harneis, cerca de 160 profissionais de saúde contraíram Ébola e 43 morreram.

Nos últimos seis meses, terão ocorrido mais de 260 ataques contra profissionais de saúde, com oito trabalhadores mortos. Ambulâncias foram apedrejadas e queimadas e instalações de saúde também foram alvo de ataques.

O responsável da ONU explicou que o medo e a desconfiança entre as populações estão a dificultar o combate à doença. Alguns habitantes acreditam que o surto é uma farsa ou reagem com violência às medidas sanitárias, nomeadamente quando estas impedem as famílias de realizar funerais segundo as suas tradições.

Os cortes na ajuda internacional nos últimos anos reduziram a capacidade das organizações humanitárias para responder à epidemia. A Organização Mundial da Saúde indicou esta semana que cerca de 60% dos 115 milhões de dólares necessários para a resposta tinham sido angariados, deixando ainda um défice significativo.

Apesar da gravidade da situação, a OMS considera que ainda é possível controlar o surto nos próximos três meses, desde que sejam mobilizados os recursos necessários.

Para já, a resposta está a ser reforçada com novas camas hospitalares e o envio de mais epidemiologistas para ajudar a localizar contactos e travar as cadeias de transmissão.

A epidemia concentra-se sobretudo no leste da República Democrática do Congo, uma região marcada por décadas de conflito, deslocações populacionais e dificuldades de acesso, fatores que tornam ainda mais difícil controlar a propagação do vírus.

  • Fonte: Rádio Renascença
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