Pessoa mais velha do mundo faz 117 anos. O segredo da longevidade pode estar em células raras

Pessoa mais velha do mundo faz 117 anos. O segredo da longevidade pode estar em células raras

  • 21/08/2026 17:12
  • Redação

Já se imaginou a soprar mais de 100 velas? O fôlego que teria de ter, mas a britânica Ethel Caterham pode lhe contar como é. A "super centenária" celebra esta sexta-feira 117 anos e é, atualmente, a pessoa mais velha do mundo.

Esquecendo por alguns segundos o certificado Guiness afixado no lar Hallmark Lakeview Care Home, o aniversário de Caterham foi como qualquer outro. Passou-o na companhia das três netas, dos cinco bisnetos, do resto da família e amigos em Surrey, um condado no sudeste da Inglaterra.

O maior conselho? "Nunca discutir com ninguém", acredita Ethel Caterham, mas o que diz a ciência para tal longevidade?

Cinco meses depois de começarem a montar as primeiras peças do navio trágico Titanic, nasceu Caterham. É testemunha de duas Guerras Mundiais, de crises e pandemias, de missões à Lua, das polémicas da "Dama de Ferro" Margaret Thatcher, do surgimento da Internet, do Brexit e até da vida e morte da antiga Rainha Isabel II.

A segunda filha mais nova de oito irmãos fez milhares de quilómetros por Gibraltar, Hong Kong e Índia, onde chegou a morar temporariamente, mas travou o ritmo aos 97 anos depois de sobreviver ao contágio de Covid-19.

Apesar de estar viúva há mais de 50 anos de um antigo tenente-coronel e de já ter perdido as duas filhas, Caterham continua entusiasmada com a vida.

"Todas as raparigas estavam apaixonadas e queriam casar consigo", contou, ainda tímida.

Agora, nos tempos livres continua a fazer apenas o que gosta: ouvir os pássaros no jardim do lar e música clássica, com tempo (porque isso não lhe falta).

No ranking atual de pessoas mais velhas do mundo, a mulher norte-americana Naomi Whitehead está em segundo lugar com 115 anos e 329 dias e, logo a seguir, a italiana Lucia Laura em terceiro com 115 anos e 272 dias.

Já o homem mais velho no mundo é, atualmente, o brasileiro João Marinho Neto, com 113 anos, que fez questão de celebrar esta data.

A imagem de Marinho Neto agarrado a uma fotocópia A4 com corações decorados com as bandeiras brasileira e britânicas bastou para derreter os internautas.

Porém, o recorde absoluto pertence ainda à mulher francesa Jeanne Calment, que viveu até aos 122 anos e 164 dias (e acabou por morrer em 1997).

Para a britânica, os melhores dias estão sempre ainda por vir. "Tive um ótimo dia e estou ansiosa para saber o que o próximo ano me reserva", revelou a família em comunidade. Mas a que se deve esta vida longa?

Uma investigação japonesa concluiu que a abundância de células imunitárias raras, que combatem o cancro, pode explicar o motivo de as pessoas ultrapassarem os 110 anos de idade.

Os estudos mais recentes mostram pistas de que estas células raras podem combater ou, pelo menos, "fazer uma barreira", impedindo o crescimento de tumores cerebrais ou a evolução de cancro no pulmão e cancro da pele.

“A ideia de que estas células protegem os centenários contra o cancro é biologicamente plausível e entusiasmante, mas continua a ser especulativa até que os seus antígenos sejam identificados e seja demonstrada diretamente a eliminação de tumores”, explicam.

Os investigadores constataram, no entanto, que estas células multiplicam-se de forma "espetacular" por volta dos 100 anos, de 4% até 17%.

"Em vez de mostrarem sinais de exaustão, mantêm-se muito ativas e podem ajudar o organismo a lidar com ameaças persistentes que aumentam com a idade."

Segundo a investigação, quem vive "idades extraordinariamente avançadas" parece que evita, por isso, doenças associadas ao envelhecimento, como doenças cardíacas, demência e cancro.

Porém, ainda são poucas as informações sobre esta faixa etária, já que são poucas as pessoas que vivem para além dos 110 anos.

Num próximo estudo, os autores japoneses já revelaram que vão analisar jovens que tenham múltiplas células deste género e a migração das mesmas ao longo dos anos. O objetivo é entender para onde é que estas células se deslocam quando uma pessoa é centenária.

  • Fonte: Rádio Renascença
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