Depois do eclipse solar, Portugal volta a olhar para o céu: Lua atravessa a sombra da Terra
- 22/08/2026 03:30
- Redação
O espetáculo astronómico muda de protagonista, mas não de cenário: depois do eclipse solar de 12 de agosto, é agora a Lua que vai entrar na sombra.
O eclipse começa de forma discreta, quando a Lua entra na penumbra terrestre, às 2h23. A mudança mais evidente acontece mais tarde, às 4h12, quando começa a fase parcial. É a partir desse momento que a sombra mais escura da Terra começa a avançar sobre o disco lunar.
O máximo do eclipse acontece durante a manhã de 28 de agosto, com cerca de 93% do diâmetro da Lua dentro da umbra, a região central e mais escura da sombra da Terra.
Apesar de ser um eclipse parcial, a dimensão da sombra torna o fenómeno particularmente expressivo. A Lua não desaparece por completo, mas uma grande parte da sua superfície ficará mergulhada na sombra terrestre.
A zona eclipsada poderá assumir uma tonalidade mais escura, acobreada ou avermelhada, um efeito provocado pela forma como a atmosfera terrestre filtra e desvia parte da luz solar em direção à Lua.
Em Portugal continental, a fase parcial prolonga-se até às 6h13. A fase penumbral termina já depois das 7h00, embora os horários possam variar ligeiramente de acordo com o local de observação.
Isso significa que as horas imediatamente anteriores ao nascer do dia serão particularmente importantes para quem quiser acompanhar o fenómeno.
Há, no entanto, uma limitação: à medida que a manhã avança, a Lua aproxima-se do horizonte e a luz do dia começa a dificultar a observação das fases finais.
O eclipse será visível em várias regiões da Europa e de África e em grande parte da América do Norte e da América do Sul. Portugal está entre os países onde será possível acompanhar o fenómeno.
Ao contrário do eclipse solar, observar um eclipse lunar não representa perigo para os olhos. Não são necessários óculos especiais ou filtros para acompanhar a Lua.
O fenómeno pode ser observado simplesmente a olho nu. Quem quiser seguir os detalhes da superfície lunar poderá recorrer a binóculos ou a um pequeno telescópio.
Ao contrário do eclipse solar, num eclipse lunar é a Terra que fica no meio do alinhamento entre o Sol e a Lua. A passagem da Lua pela sombra projetada pelo nosso planeta provoca uma alteração temporária no seu aspeto.
Este fenómeno só pode ocorrer em fase de Lua Cheia, mas não acontece em todas as Luas Cheias. É necessário que Sol, Terra e Lua estejam suficientemente alinhados para que o satélite atravesse a sombra terrestre.
A sombra da Terra não é uniforme. Existe uma zona exterior, chamada penumbra, onde a luz solar é apenas parcialmente bloqueada, e uma zona interior, a umbra, onde a luz direta do Sol deixa de chegar.
É a passagem da Lua por estas duas regiões que determina o tipo de eclipse. Num eclipse penumbral, a Lua atravessa apenas a penumbra, fazendo com que o seu brilho diminua ligeiramente, num efeito que pode passar despercebido.
Já num eclipse parcial, uma parte do disco lunar entra na umbra, enquanto o restante permanece iluminado pelo Sol. É este o fenómeno previsto para 28 de agosto.
No eclipse total, a Lua fica inteiramente dentro da umbra. Apesar de a luz solar direta ser bloqueada, alguma luz atravessa a atmosfera terrestre e chega à superfície lunar, dando-lhe frequentemente uma coloração avermelhada ou alaranjada.
Num eclipse parcial, como o de 28 de agosto, a Lua não fica totalmente mergulhada na sombra mais escura da Terra, pelo que o efeito avermelhado não cobre todo o disco lunar.