Leão XIV em São Marino: “Promover a liberdade implica defender os espaços de consciência”

Leão XIV em São Marino: “Promover a liberdade implica defender os espaços de consciência”

  • 22/08/2026 05:46
  • Redação

Mais de 15 anos depois do último Papa, Leão XIV visitou este sábado a micronação de São Marino, no norte de Itália, para defender que "promover a liberdade implica defender os espaços de consciência", após um encontro com os capitães-regentes da república.

O Papa descreveu São Marino como um "laboratório de boa política" e defendeu que "não existe verdadeira liberdade civil sem liberdade pessoal", que implica " respeitar e promover a dignidade da pessoa humana".

"Promover a liberdade implica defender o espaço da consciência. E aqui, o pensamento vai para tantos homens e mulheres que, em todas as épocas e lugares, são mártires da liberdade porque testemunham precisamente o primado da consciência", afirmou Leão XIV, no discurso proferido na Sala do Conselho Grande e Geral, perante autoridades e sociedade civil.

A visita é a primeira ao microestado desde Bento XVI, em 2011. Antes dele, João Paulo II também realizou uma visita oficial a São Marino, em 1982.

No discurso, Leão XIV defendeu que "não faltam pessoas que se mantêm fiéis à sua consciência mesmo em contextos de forte adversidade", considerando-as "testemunhas da verdadeira liberdade".

"Além disso, a liberdade realiza-se no dom, na comunhão, no encontro e no diálogo. É como uma planta que cresce e produz ramos e folhas para oferecer a todos oxigénio, sombra, fragrância, frutos e novas sementes. E como poderia ser diferente, uma vez que emana da fonte do Amor Uno e Trino? Esta referência teológica pode parecer excessiva, mas creio que é necessária hoje, face à idolatria que mina estes projetos políticos e económicos que se apresentam em nome da liberdade, mas que na realidade são escravos dos ídolos e do poder", referiu o Papa.

Falando sobre São Marino, Leão XIV referiu que "é possível viver a proximidade da política às necessidades dos cidadãos", com uma democracia mais efetiva e inspirada pela doutrina cristã, considerando que "o cuidado do outro tem sido uma característica distintiva da história de São Marino desde o seu início".

Depois do encontro com as autoridades, Leão XIV deslocou-se a pé à Basílica de São Marino para um breve encontro com a comunidade católica. O Papa pediu aos fiéis que participem em iniciativas e projetos de caridade e de justiça, para darem “im testemunho de paz que fala ao mundo”. Pediu também que saibam "superar o individualismo de uma certa cultura metropolitana e consumista, bem como outras formas de provincianismo desconfiado e divisivo, para dar novo fôlego às nossas esperanças de fraternidade e paz".

Durante a tarde, o Papa irá visitar Rimini, para um encontro do movimento Comunhão e Libertação.

Leão XIV chega ao heliporto do centro de exposições de Rimini (Fiera), às 14h45 e ‘Meeting de Rimini’ começa por visitar as exposições dedicadas a Santo Agostinho (15h00) e ao industrial francês Léon Harmel (1829-1915), passa pela ‘Aldeia dos Rapazes’ onde cumprimenta os participantes, antes do encontro no grande auditório (16h00).

O ‘Meeting de Rimini’, do movimento Comunhão e Libertação, assume-se como um espaço internacional de diálogo e reflexão transversal que procura debater os grandes desafios da sociedade, da cultura e da fé.

Leão XIV também vai encontrar-se com doentes, pessoas com deficiência e pobres assistidos pela Cáritas, às 17h30, na catedral, e preside à Eucaristia, no porto de Rimini, às 18h00 locais.

A visita pastoral do Papa à diocese italiana termina às 20h00: Leão XVI despede-se das autoridades e aterra no heliporto do Vaticano passado uma hora (21h00).

Segundo o programa divulgado pelo Vaticano, Leão XIV vai visitar a “título privado” a comunidade do Mosteiro de Santo António de Pádua das Monjas Agostinianas, em Pennabilli.

  • Fonte: Rádio Renascença
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