Contra o "falso realismo, que rearma mentes", Papa sublinha: "o mal não se combate com o mal"
- 22/08/2026 11:45
- Redação
Leão XIV apelou este sábado a que se prefira o realismo autêntico da misericórdia, em vez do "falso realismo" que "rearma mentes, palavras e nações". Perante milhares de participantes no 47º Encontro pela Amizade entre os Povos, em Rimini, em Itália, o Papa sublinhou que "o mal não se combate com o mal".
"Não foi por acaso que os meus antecessores – São João Paulo II, Bento XVI e Francisco – apontaram a misericórdia divina como o ponto de encontro entre o Evangelho e as “coisas novas” desta época dramática e maravilhosa. Seguir Jesus Cristo após as tragédias e os recomeços do século XX implica, na verdade, uma consciência lúcida: o mal não se combate com o mal. Assim na terra como no céu, o amor é a lei da vida, o método da redenção, do Messias crucificado. Ao falso realismo, que rearma mentes, palavras e nações, a cultura católica tem hoje de opor o realismo da misericórdia, segundo o qual não podem existir inimigos e todos, mesmo os adversários, são irmãos e irmãs que devem ser olhados nos olhos e encontrados na verdade."
Sublinhando que "a paz é preservada e difundida por pessoas que gostam de se encontrar e não têm medo de dialogar", apelou ainda a que se desmascare "as injustas relações de poder".
"Libertemos, portanto, a convivência da suspeita, a cultura da prepotência, a educação da ideologia, o trabalho da idolatria do lucro, a tecnologia e as finanças dos negócios de morte. A partir das organizações que criámos e nas quais atuamos, desmascaremos as injustas relações de poder, que estão na origem da pobreza e das desigualdades, da guerra e dos desastres ambientais. Desarmemos o desenvolvimento tecnológico quando este se torna invasivo e destrutivo. Precisamos de pioneiros corajosos, que comecem pela sua inversão de rota a tornar convincente e verosímil a conversão pedida a todos."
Leão XIV lembra que "antes das fronteiras, das definições e das instituições, estão sempre as pessoas" e realça que "esta consciência está no coração do cristianismo".
"Vós sabeis disso, porque fostes educados a ler o Evangelho como revelação de Deus que se faz encontro, acontecimento, olhar, experiência, despertando em cada um o desejo de ser amado e de amar. Desta forma, não fizestes do “Meeting” uma espécie de enclave: muito pelo contrário, tornou-se um cruzamento para a Igreja e a sociedade, um encontro que multiplica encontros e inspira novos caminhos."
Apelando à ação, afirmou: "É hora da responsabilidade, especialmente para quem muito recebeu de uma tradição milenar de fé que se faz cultura." O Papa diz que é necessário “reacender sonhos e visões”, em vez de apenas alimentar o “fogo do cansaço e do desespero”.
O ‘Meeting de Rimini’, do movimento Comunhão e Libertação, assume-se como um espaço internacional de diálogo e reflexão transversal que procura debater os grandes desafios da sociedade, da cultura e da fé.
Leão XIV encontrou-se com doentes, pessoas com deficiência e pobres assistidos pela Cáritas e preside à Eucaristia, no porto de Rimini, às 18h00 locais.
A visita pastoral do Papa à diocese italiana termina às 20h00: Leão XVI despede-se das autoridades e aterra no heliporto do Vaticano passado uma hora (21h00).
Segundo o programa divulgado pelo Vaticano, Leão XIV vai visitar a “título privado” a comunidade do Mosteiro de Santo António de Pádua das Monjas Agostinianas, em Pennabilli.