Zelensky rejeita eleições durante a guerra: "Poderia destruir o país"
- 23/08/2026 09:14
- Redação
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, respondeu ao seu antigo ministro da Defesa, considerando que a marcação de eleições em tempo de guerra iriam "destruir" o país.
"Penso que, numa guerra como esta, eleições como estas representam um risco enorme. Se quisermos destruir o país, podemos optar por eleições durante este tipo de guerra", disse Zelensky em declarações divulgadas este domingo.
O mandato de Zelensky como presidente terminou em maio de 2024, mas a legislação ucraniana e a lei marcial em vigor proíbem atos eleitorais durante períodos de guerra no país, que se arrasta desde fevereiro de 2022. Ao mesmo tempo, analistas internacionais também consideram a realização de eleições muito difícil, dadas as preocupações de segurança e que existem milhões de ucranianos fora do país.
A taxa de aprovação do presidente da Ucrânia mantêm-se relativamente positiva dentro do país, perto dos 60%, enquanto a maioria dos ucranianos só quer eleições no fim do conflito com a Rússia.
Em reunião com jornalistas, Zelensky avançou que o presidente russo, Vladimir Putin, planeia mobilizar 300 mil soldados após as eleições russas de setembro, tendo a capacidade de produzir até 1.300 misseís balísticos por ano.
Zelensky afirmou que a Ucrânia vai enfrentar outro inverno difícil, que será marcado por ataques russos à sua rede elétrica, algo que levou a Força Aérea ucraniana a solicitar 360 mísseis intercetores para esta temporada.
O Presidente ucraniano afirmou também ter chegado a um acordo com a França para o fornecimento de, pelo menos, um sistema de defesa aérea SAMP/T este ano, e com a Alemanha para o fornecimento de cerca de 600 mísseis intercetores PAC-2 e PAC-3 até 2028.
O esforço de guerra da Ucrânia é ainda mais complicado, dado o défice de financiamento da Defesa de 27 mil milhões de dólares (cerca de 23 mil milhões de euros) este ano, afirmou Zelensky, atribuindo-o a despesas superiores às previstas durante a primeira metade do ano.
São necessários pelo menos 8 mil milhões de dólares (cerca de 6,8 mil milhões de euros) para um "início normal" de 2027, além de cerca de 20 mil milhões de dólares (cerca de 17 mil milhões de euros) adicionais para salários dos militares, pagamentos às famílias dos militares mortos e outras necessidades de financiamento, acrescentou.
Já o ex-ministro da Defesa da Ucrânia Mykhailo Fedorov afirmou que o Presidente ucraniano deve "responder" pelos alegados casos de corrupção no seu Governo e reafirmou a necessidade de eleições.
Pioneiro na utilização de drones na guerra contra a Rússia, Fedorov foi substituído no mês passado, aparentemente devido a divergências com o chefe das forças armadas da Ucrânia.
Hoje, o ex-ministro afirmou que uma investigação sobre branqueamento de capitais anunciada na semana passada levantava dúvidas sobre se Zelensky estava a par da possível corrupção no seu círculo mais próximo.
"A democracia não deve ser refém de Putin", disse, recusando confirmar se tem ambições políticas pessoais.
Quando questionado sobre se sentia saudades do seu antigo cargo, respondeu que "não", invocando o stress que representava gerir a guerra contra a Rússia e, além disso, modernizar o Ministério da Defesa.