35 anos de independência da Ucrânia: “É uma versão violenta do fim da Guerra Fria”
- 24/08/2026 01:30
- Redação
Na leitura do consultor em Assuntos Europeus, Henrique Burnay a independência da Ucrânia "é uma versão violenta do fim da Guerra Fria".
Houve países que consideram deixar o domínio russo e entrar na União Europeia e na NATO e que agora, diz o consultor, olham para a Ucrânia e verificam "o que lhes teria acontecido se tentassem um caminho de independência semelhante ao de Kiev.
"A história da Independência da Ucrânia é um pouco a história recente da Europa e também a história que poderia ter sido", sublinha.
"Digamos que é o nível 1 da agressividade russa contra a independência da Ucrânia, e contra a independência numa versão aproximação ao Ocidente e à Europa. A primeira arma que usam é envenenar o candidato presidencial", diz.
O consulto sublinha como tem sido extraordinária a resistência ucraniana realçando que a ajuda da Europa e dos Estados Unidos da América (EUA) é um fator decisivo na defesa de Kiev. Henrique Burnay destaca ainda que deve haver atenção à "mudança brutal" dos EUA que em 2022 ainda com Biden na administração alertou a Europa sobre a necessidade de apoio a Kiev tendo hoje uma administração diferente.
Além de todo o contexto e ajuda internacional, internamente há uma nova discussão na Ucrânia. O antigo ministro da Defesa Mykhailo Fedorov pediu eleições no país devido aos casos de corrupção e Zelensky já alertou neste domingo que isso representaria um "tsunami" no país.
Na leitura de Henrique Burnay esta instabilidade interna não deverá ser um risco para o desempenho da Ucrânia na guerra, uma vez que nesta divisão o que separa os dois lados não é o combate à Russia, uma vez que os dois defendem a resistência do povo ucraniano. "O que pode pôr em causa é o presidente Zelensky", sublinha.
Sobre o futuro, o consultor acredita que no pós guerra a Independência da Ucrânia terá novos moldes, com uma entrada na União Europeia. "A Ucrânia olha para a Europa, não como muitos olharam para garantir a paz, não para garantir a prosperidade como nós quando a aderimos, mas hoje em dia a sua segurança é também um fator aqui. Curiosamente os europeus começam a olhar para uma eventual adesão da Ucrânia como um fator de segurança também, porque neste momento é o exército mais competente da Europa", defende.