Ordem dos Médicos quer avaliação do INEM centrada nos resultados para os doentes

Ordem dos Médicos quer avaliação do INEM centrada nos resultados para os doentes

  • 24/08/2026 03:46
  • Redação

Em comunicado divulgado esta segunda-feira, a Ordem considera que a emergência médica deve ser avaliada pela capacidade de garantir que cada pessoa em situação crítica recebe, no momento certo, a resposta adequada à sua situação clínica.

Os dados do Relatório de Atividade do CODU e Meios de Emergência Médica relativo a 2025 mostram, segundo a organização, um sistema sujeito a uma elevada pressão. Nesse ano, o INEM atendeu mais de 1,6 milhões de chamadas nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e realizou cerca de 1,44 milhões de acionamentos de meios de emergência.

O relatório identifica ainda vários constrangimentos, entre os quais a pressão sobre os recursos humanos, o défice de Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar face às necessidades operacionais, o recurso significativo a trabalho extraordinário e limitações na operacionalidade de alguns meios.

Para a Ordem dos Médicos, estes dados devem ser analisados tendo em conta o seu eventual impacto na resposta efetivamente prestada aos doentes, e não apenas enquanto números de atividade.

“O debate sobre o INEM tem de deixar de estar centrado apenas na organização interna do Instituto. Essa dimensão é importante, mas o foco principal tem de estar nos doentes”, afirma o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.

Segundo o responsável, um sistema de emergência médica deve ser avaliado pela capacidade de prestar uma resposta “mais rápida, mais segura e mais eficaz” a quem necessita de ajuda.

A Ordem defende, por isso, um acompanhamento transparente dos tempos de resposta e dos resultados clínicos dos doentes com patologias tempo-dependentes, como o AVC, o enfarte, o trauma grave e a sépsis, bem como de outros indicadores de qualidade e segurança da atividade pré-hospitalar.

A Ordem dos Médicos sublinha também a importância de todos os profissionais que integram o Sistema Integrado de Emergência Médica, incluindo médicos, enfermeiros, Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar e bombeiros.

A organização considera que estes profissionais devem ser ouvidos e envolvidos nos processos de melhoria e reforma do INEM.

Neste contexto, está agendada para esta semana uma reunião entre a Ordem dos Médicos e o presidente do INEM, Luís Cabral, para analisar os dados disponíveis, acompanhar as medidas em curso e conhecer as alterações previstas no âmbito da reforma do Instituto.

Estão igualmente previstas reuniões com médicos do quadro do INEM, com o objetivo de ouvir diretamente os profissionais sobre as dificuldades existentes e recolher contributos para melhorar a resposta.

A Ordem defende que a evolução do INEM deve assentar em evidência, transparência e participação dos profissionais, considerando essencial que o Instituto seja capaz de responder aos desafios atuais e futuros da emergência médica.

“Os doentes, e só os doentes, são a medida do sucesso do INEM”, conclui a Ordem dos Médicos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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