Alojamento estudantil aumenta, mas “não chega” para travar rendas

Alojamento estudantil aumenta, mas “não chega” para travar rendas

  • 24/08/2026 08:39
  • Redação

O aumento da oferta de alojamento para estudantes universitários continua a ser insuficiente para responder à procura, apesar do crescimento do número de quartos disponíveis no Porto e em Lisboa. O alerta é deixado pela Federação Académica do Porto (FAP), no dia em que o Observatório do Alojamento Estudantil revela um aumento de 53% dos quartos disponíveis no Porto face ao ano letivo anterior.

Em Lisboa, há atualmente mais de 3.700 quartos disponíveis, mais de mil do que em agosto de 2025. Ainda assim, a FAP considera que o aumento da oferta não é suficiente para fazer baixar as rendas nem para responder às necessidades dos estudantes deslocados.

O responsável recorda que existem cerca de 28 mil estudantes deslocados no Porto, dos quais aproximadamente quatro mil são bolseiros. Em contrapartida, existem menos de duas mil camas públicas.

“Temos cerca de 28 mil estudantes deslocados, desses 28 mil, cerca de 4 mil são estudantes bolseiros e temos menos de 2 mil camas públicas”, explica.

Francisco Porto Fernandes considera, por isso, que mesmo um crescimento significativo da oferta pública terá de ser acompanhado por um investimento muito maior para produzir efeitos no equilíbrio entre a procura e a oferta.

“Mesmo que haja um crescimento significativo da oferta pública, ele tem de ser um crescimento mesmo muito, muito, muito significativo para ter algum significado no que diz respeito ao jogo aqui do equilíbrio entre a procura e a oferta”, sublinha.

O presidente da FAP defende, por isso, que o reforço da oferta pública de alojamento não pode ser considerado um processo concluído.

“O que é essencial é nós não vermos como fechado este aumento de oferta pública”, afirma.

A Federação Académica do Porto apela a um reforço do investimento na criação de residências para estudantes, considerando que as medidas adotadas para responder à atual crise de alojamento não podem substituir uma estratégia de longo prazo.

Apesar desse investimento, considera que o esforço futuro continua aquém do necessário.

“Se eu aplaudo o Governo nas medidas de emergência e de curto prazo para fazer face a esta crise, também tenho de dizer que o que está a ser feito, o planeamento do futuro no que diz respeito ao aumento da oferta de alojamento público, mas também público em parceria com o privado, em parceria com o setor social, fica ainda muito aquém das expectativas”, afirma.

A falta de alojamento a preços acessíveis pode também ter impacto no acesso ao ensino superior. O presidente da FAP alerta que muitos estudantes colocados acabam por enfrentar dificuldades para conseguir concretizar a matrícula e frequentar a universidade.

“Não adianta nada as pessoas estarem colocadas. As pessoas têm de se matricular, têm de se inscrever”, sublinha.

Francisco Porto Fernandes afirma que, nos últimos anos, tem havido estudantes colocados no ensino superior que ficam sem solução de alojamento ou cujas famílias são obrigadas a suportar custos muito elevados.

“O que nós temos tido ao longo destes últimos anos é os estudantes colocados, mas desalojados porque não têm solução de alojamento a preços acessíveis ou as famílias têm de fazer esforços estratosféricos”, afirma.

“Este será um ano em que estudantes vão ter de desistir da universidade por não terem um alojamento? Eu diria que estes são casos que felizmente não são muito significativos, mas um caso já é muito grave”, alerta.

O presidente da FAP sublinha ainda o peso que a educação tem para as famílias portuguesas, que acabam por suportar custos elevados para garantir que os filhos conseguem estudar.

“As famílias fazem esforços inimagináveis para garantir a educação aos seus filhos”, conclui.

  • Fonte: Rádio Renascença
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