PS acusa Governo de "criar medo" à volta da sustentabilidade da Segurança Social

PS acusa Governo de "criar medo" à volta da sustentabilidade da Segurança Social

  • 24/08/2026 08:31
  • Redação

"Colocar medo às pessoas é aquilo que o Governo fez ao encomendar um relatório precisamente a quem sabia que tem uma narrativa de décadas a favor dos sistemas privados de Segurança Social e contra a Segurança Social pública. Isso é que é criar medo", afirmou o porta-voz do PS e membro do Secretariado Nacional.

Em conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa, André Moz Caldas considerou que "o que o Governo fez na semana passada gera o pânico das pessoas relativamente à possibilidade de manterem as pensões que estão a pagamento, e muito em particular nas gerações mais jovens, da possibilidade de construírem uma pensão que lhes permita ter uma vida digna nas fases mais adiantadas da sua vida".

O dirigente do PS indicou que o partido pretende chamar ao parlamento a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, para compreender se o Governo tem "uma divergência relativamente à metodologia do relatório, ao conteúdo do relatório, aos resultados do relatório, e está firme nessa sua convicção de não retirar dele consequências em termos de transformações no sistema de Segurança Social".

Moz Caldas salientou que o PS "vai sempre posicionar-se na defesa das pensões, não apenas das pensões a pagamento, mas também das pensões que ainda se encontram em formação".

Sobre o aumento do custo de vida, tema da conferência de imprensa, André Moz Caldas referiu o aumento de vários preços, desde os combustíveis ao cabaz alimentar e exemplificou que "uma família com consumo mensal de dois depósitos de gasóleo, dois cabazes alimentares, duas garrafas de gás e a prestação da casa, suporta hoje um encargo mensal superior em 128 euros ao que tinha no início do ano".

O dirigente considerou que estes dados "exigem respostas do Governo" e disse que o partido "não exclui o exercício de qualquer iniciativa na esfera parlamentar que esteja ao seu alcance".

Questionado se o PS vai apresentar alguma iniciativa sobre esta matéria no arranque da nova sessão legislativa, André Moz Caldas referiu que o partido já apresentou algumas, que foram rejeitadas, e defendeu que "exige-se ao Governo que explique ao país porque é que hesita em apoiar as famílias portuguesas num contexto de crise agravada do custo de vida".

O porta-voz do PS foi questionado ainda sobre a iniciativa que o Chega quer levar ao parlamento e que pede a exoneração do ministro da Administração Interna e insistiu que Luís Neves "não tem condições para assegurar a exigência das funções que a Segurança Interna e a soberania exigem".

"Agora a responsabilidade já não é do ministro da Administração Interna, a responsabilidade é toda do primeiro-ministro, e é o primeiro-ministro o nosso interlocutor. Se o primeiro-ministro não tomar nenhuma atitude, é para ele que se transferem todas as responsabilidades", sustentou.

  • Fonte: Rádio Renascença
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