Patrick Morais de Carvalho apresenta novo investidor para o Belenenses
- 24/08/2026 13:30
- Redação
O Belenenses prepara a entrada da APEX na sociedade desportiva, num investimento que pretende reforçar financeiramente o clube e relançar a ambição de regressar à I Liga.
A APEX deverá entrar como acionista minoritária, mas os valores e a percentagem da participação ainda não são conhecidos.
Patrick Morais de Carvalho, presidente do clube, explica a Bola Branca que o modelo começou a ser trabalhado há mais de um ano e que a parceria pretende ir além do habitual investimento direto no plantel.
"A Apex vai ajudar-nos com capital para contratar talento, investimento na formação, ajudar a aumentar a nossa capacidade de scouting, trazer-nos mais contactos internacionais, a exploração comercial da marca, que é muito importante, continuando o Belenenses a ser acionista maioritário", salienta.
O negócio surge num momento em que o Belenenses procura regressar à II Liga, depois de duas presenças consecutivas no "play-off" de subida da Liga 3.
O presidente reconhece que a capacidade financeira atual poderá voltar a ser um obstáculo caso o clube consiga regressar ao segundo escalão.
"Na Liga 2, antevejo que o Belenenses, com a sua SDUQ, sofrerá. Chega à Liga 2 e vai sofrer outra vez, porque é difícil combater contra o nível de investimento que hoje existe na segunda liga em Portugal", refere.
Apesar do investimento da APEX, Patrick Morais de Carvalho estabelece como condição que o Belenenses acompanhe o investimento do futuro parceiro.
"Toda a gente dizia que é impossível no futebol encontrar-se um acionista minoritário. A primeira dica que eu deixo é que é impossível encontrar um acionista minoritário se nós quisermos que o acionista minoritário fique sozinho a pagar a festa. Não pode ser", remata.
A proposta distingue-se de forma clara da anterior experiência societária do Belenenses, que culminou na divisão entre o clube e a SAD do Belenenses.
Patrick Morais de Carvalho recorda que, nesse caso, o clube vendeu 51% do capital e perdeu o controlo do futebol profissional.
"O modelo de SAD que nós tivemos no Belenenses começou torto desde o primeiro dia, porque foi feito de uma maneira muito opaca, de uma forma quase clandestina. Mas, na altura, o Belenenses vendeu 51% do capital e perdeu o controlo do seu futebol profissional", lembra.
Agora, a intenção é seguir um modelo em que o clube mantenha a maioria, permitindo ao investidor participar no crescimento do projeto sem assumir o controlo. Uma diferença que Patrick Morais de Carvalho considera essencial para preservar a ligação entre o futebol e os associados.
"O Belenenses tem que ser maioritário no seu capital, é uma linha vermelha que não podemos ultrapassar", afirma. "O Belenenses continuará a ser dos sócios e o poder continuará a radicar na Assembleia de Sócios do clube", completa.
O presidente não arrisca um prazo para o regresso à I Liga, mas acredita que a eventual entrada da APEX poderá alterar significativamente a capacidade do clube para competir nos escalões profissionais.
"Se o Belenenses tiver um acionista minoritário que nos traga o músculo financeiro que nos tem faltado, acredito que o Belenenses pode estar na segunda liga com uma forte ambição de ser candidato a subir de divisão", afirma.
A parceria é pensada para vários anos e terá ainda de passar pelo escrutínio dos associados. Patrick Morais de Carvalho acredita que que a proposta poderá devolver ao clube uma ambição que vai além da simples subida de divisão.
"Esta parceria com a Apex é uma parceria de médio e longo prazo, não é uma parceria de curto prazo, é uma parceria para os próximos anos", conclui.
A decisão final caberá aos sócios, depois das eleições de outubro e das sessões de esclarecimento que o clube promete realizar para apresentar os contornos do negócio.