Zelensky condecora diretor português da Erasmus+ no Dia da Independência da Ucrânia
- 24/08/2026 16:21
- Redação
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condecorou esta segunda-feira o diretor português da Agência Nacional Erasmus+, Luís Alves, com a Ordem de Mérito da Ucrânia. Uma forma de distinguir o trabalho realizado em cooperação com a Ucrânia, sobretudo na educação não formal e integração de jovens ucranianos.
"É um misto de emoções. Por um lado, ter participado numa cerimónia especialmente emocionante nessa dimensão humana do que significa a guerra para milhares de ucranianos, mas também, a satisfação, se quiser, de ver reconhecido um percurso longo de cooperação que temos tentado fazer em conjunto com as entidades ucranianas, com o governo, com municípios, com organizações de juventude, no sentido de colocar os programas europeus no domínio da juventude, mas também como instrumentos de cooperação com a Ucrânia, nesta fase extremamente exigente que a Ucrânia atravessa. A condecoração foi-me entregue em mão, pessoalmente, em praça. Tentarei defendê-la com todas as minhas forças", afirma.
Luís Alves fala num número cada vez maior de projetos, no âmbito da Agência Nacional Erasmus +, que juntam milhares de jovens ucranianos.
"A verdade é que ao longo destes anos temos colocado este Erasmus+ num patamar que é mais do que apenas um programa de apoio à mobilidade dos estudantes. É um instrumento de cooperação, que treina e capacita técnicos, educadores, e também dá qualificações políticas públicas nesta matéria ao reforçar a capacidade das organizações de juventude e ao criar redes de cooperação em toda a Europa, nomeadamente com jovens ucranianos deslocalizados", aponta.
Luís Alves refere que, apesar de não ter sido desenhado para ser um instrumento de cooperação em cenários tão exigentes como é exemplo o conflito que a Ucrânia atravessa, o programa Erasmus+ tem dado respostas reais às necessidades.
"Eu relembro que, sobretudo no início da guerra, a escola foi altamente comprometida na Ucrânia e foi preciso encontrar novas soluções para manter o sistema de ensino a funcionar e não perder toda uma geração ucraniana que também tem essa dimensão educativa, de mobilidade e de participação com outras organizações. No ano passado, nós conseguimos todos juntos que Lviv, cidade de um país em guerra, tivesse sido a Capital Europeia da Juventude e que liderou uma agenda de debate sobre as políticas europeias e sobre a integração europeia da Ucrânia", adianta.
O diretor português da Agência Nacional Erasmus+ refere que estão envolvidos milhares de jovens ucranianos em diversos projetos.
"Só para ter uma ideia, em Portugal, nós estamos a apoiar 80 projetos envolvendo mais de 50 organizações de juventude. Temos servido de pivô de mobilização das outras agências. Nós criamos metodologias de trabalho com jovens ucranianos e com as suas organizações e neste momento, é caso para dizer, perdemos a mão à dimensão desta cooperação, porque neste momento, em todas as agências, em todos os países, este programa está a atingir dezenas de milhares de jovens ucranianos que estão deslocalizados ou que estão na Ucrânia e que têm experiências de formação, de educação e de participação política noutros países. Muitas iniciativas têm-se traduzido, desde logo, no esforço de guerra e na capacidade da Ucrânia de encontrar soluções imaginativas para enfrentar um vizinho mais poderoso. A grande capacidade de resistência da Ucrânia também assenta nas novas gerações e na capacidade de manter uma economia a funcionar", declara.
Luís Alves foi, esta segunda-feira, o único cidadão estrangeiro, além de chefes de Estado e de Governo, a ser condecorado na cerimónia que assinalou os 35 anos da independência da Ucrânia.