Ex-dirigente do Leixões suspenso por três meses por assédio sexual a jogadoras menores de idade

Ex-dirigente do Leixões suspenso por três meses por assédio sexual a jogadoras menores de idade

  • 24/08/2026 16:47
  • Redação

A Secção Não Profissional do Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) suspendeu Manuel Graça, antigo diretor desportivo do futebol feminino do Leixões, por três meses, por assédio sexual a jogadoras menores de idade.

Os factos remontam à época 2025/26, quando o dirigente, que já não se encontra no clube, tinha 66 anos, e diz respeito a duas jogadoras da equipa sub-19 do Leixões, que militava na II Divisão. Uma das atletas (identificada como "X") tinha 17 anos de idade e a outra 15 ("Y").

"Alguns minutos depois do referido comentário de X, o Arguido Manuel Graça puxou Y para o lado, de modo a afastá-la de X, e disse-lhe 'Se ela tivesse 20 anos, eu mostrava-lhe o que era f****'", lê-se.

Em pelo menos uma ocasião, quando a jogadora X estava sentada numa marquesa no gabinete de Manuel Graça, o dirigente "passou as mãos nas suas coxas, sem que a atleta consentisse tal ato". Segundo o acórdão, X "demonstrou o desconforto que sentia com esse toque não permitido", tendo chegado a exigir ao arguido que retirasse a mão das suas pernas.

Em "diversas ocasiões", relata o documento, após jogos, Manuel Graça passou o braço pelas costas da jogadora Y e proferiu frases como "eu adoro pretinhas" e "eu adoro a minha moreninha".

As jogadoras queixaram-se do comportamento de Manuel Graça a duas diretoras do Leixões, Sandra Martins e Elisabete Oliveira, que por sua vez reportaram ao treinador da equipa sub-19, João Pedro Dias. Este relatou a situação ao treinador da equipa principal feminina, Rui Filipe Magalhães, que transmitiu o sucedido diretamente ao presidente do Leixões, Jorge Moreira. Também Sandra Martins e Elisabete Oliveira foram falar com Jorge Moreira, dias depois.

"O Arguido Jorge Moreira, apesar de ter conhecimento das alegadas condutas do diretor desportivo, não ouviu nenhuma das duas jogadoras nem instaurou um processo formal e interno para averiguar as denúncias que lhe foram transmitidas tanto pelas diretoras quanto pelo treinador da equipa sénior do Arguido Leixões SC", pode ler-se no acórdão.

Ainda assim, após os relatos que lhe chegaram, Jorge Moreira convocou Manuel Graça para uma reunião e confrontou-o com as acusações. O diretor desportivo negou e disse ser "vítima de uma perseguição interna".

"Nessa reunião, o Arguido Jorge Moreira aconselhou o Arguido Manuel Graça a deixar de comparecer aos treinos das equipas femininas de sub-19, sub-17 e sub-15, o que efetivamente ocorreu. Paralelamente, o Arguido Jorge Moreira deu indicações às diretoras dos escalões sub-19, sub-17 e sub-15 para ficarem vigilantes no acompanhamento das duas atletas em causa e demais jogadoras", lê-se.

Jorge Moreira também contactou Catarina Mendes, do FC Porto, último clube em que Manuel Graça trabalhara, para perceber se tinham acontecido episódios semelhantes no clube portuense. A treinadora afirmou desconhecer qualquer problema. Posto isso, Jorge Moreira "decidiu aguardar por eventuais desenvolvimentos, nomeadamente a tramitação dos processos criminais resultantes das queixas que tivessem sido apresentados".

Manuel Graça deixou o Leixões em março de 2026, em virtude de uma "oferta mais vantajosa" do Racing Power.

A Secção Não Profissional do CD da FPF deliberou punir Manuel Graça com uma suspensão de três meses, pela prática de uma das duas infrações disciplinares de assédio sexual de que estava acusado (nº 1 do artigo 126º-B do regulamento disciplinar).

Por outro lado, o Leixões e o presidente Jorge Moreira foram absolvidos de comportamento discriminatório e de omissão de "comportamentos indesejados de carácter sexual", respetivamente.

  • Fonte: Rádio Renascença
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