Câmara Municipal quer dotar Cascais de sete novos museus até 2029

Câmara Municipal quer dotar Cascais de sete novos museus até 2029

  • 24/08/2026 18:15
  • Redação

Cascais vai investir 23 milhões de euros para criar vários novos museus e requalificar outros, com cinco aberturas previstas para 2027 e duas até 2029, disse à Lusa o presidente da Câmara Municipal, Nuno Piteira Lopes.

De acordo com o autarca, vão ser criados no concelho o Museu da Vila Romana de Casais Velhos, o Museu da Imprensa, o Museu da Língua, o Museu da Cantaria e da Pedra e o Museu do Mar 2.0, cujo projeto vai ser entregue ao arquiteto Eduardo Souto Moura.

O Museu do Mar será "2.0" porque o projeto visa requalificar na totalidade o atual espaço, próximo da Casa das Histórias Paula Rego, e será, por isso, projetado por Eduardo Souto Moura, autor do projeto do museu dedicado à artista portuguesa. "Este museu irá integrar-se, do ponto de vista paisagístico, também com a Parada, a Casa Sommer e fará a ligação ao Parque Marechal Carmona", observou Nuno Piteira Lopes.

O Museu do Teatro, em Carcavelos, o Casal Saloio e a Necrópole Neolítica da Alapraia, que está em fase final de construção, completam a lista dos novos equipamentos a surgir em Cascais, cinco dos quais o presidente do executivo municipal conta que abram até ao final de 2027. Para o término do mandato, em 2029, está prevista a abertura do Museu do Mar e do Museu do Teatro.

O Museu da Vila Romana de Casais Velhos consiste num projeto de musealização da vila romana existente no Guincho, ao ar livre, que aguarda apenas a aprovação do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas "para criarem um circuito de visitação focado na antiga Fábrica da Púrpura".

A instalação do Museu da Imprensa decorre do fecho do News Museum, em Sintra, e do estabelecimento de um protocolo com quem detém os direitos dessa instituição. O projeto, que irá reunir a história da imprensa regional, nacional e internacional, funcionará no antigo centro comercial Girassol, que pertence à autarquia, que já tem financiamento para avançar com as obras de adaptação do espaço.

O Museu da Língua será "o mais impactante que irá abrir em Cascais", frisou o autarca, acrescentando que ficará instalado "na icónica Torre de Santo António, nas muralhas da Fortaleza Nossa Senhora da Luz, e será um verdadeiro repositório vivo da história da língua a nível mundial".

"A principal espécie deste museu será uma espécie de Arca de Noé onde ficarão guardados livros icónicos nas diversas línguas mundiais, como a Bíblia, o Alcorão, 'Os Lusíadas', 'O Principezinho', o 'Memorial do Convento', a Constituição Americana, [...] tudo poderá ser visto por todos os visitantes", observou Nuno Piteira Lopes, acrescentando que o espaço integrará ainda um centro de estudos sobre línguas mortas ou em desaparecimento.

O Museu da Língua era um projeto do antigo presidente da autarquia Carlos Carreiras, que pretendia construí-lo no Forte de Santo António da Barra. O atual presidente da Câmara de Cascais explicou que o museu acabou por não ser construído naquele local, "pois ainda estava em discussão a transmissão ou não da Fortaleza Nossa Senhora da Luz para a Câmara de Cascais, em cujas muralhas o Museu da Língua vai ficar instalado".

O Museu da Cantaria e da Pedra será também um espaço museológico "sem portas, integrado na paisagem de uma antiga pedreira em Cascais, de forma a transformar esse espaço num espaço de cultura, conhecimento e de criação artística". Este projeto está a ser feito em colaboração com o professor e historiador José d'Encarnação.

Já o Museu do Mar "vai ter uma nova vida, uma nova capacidade de cobrar a relação de Cascais com o mar, o oceano e a comunidade piscatória", afirmou Nuno Piteira Lopes, daí que seja requalificado "de modo a preservar a ligação dos habitantes do concelho a uma história de gerações na perspetiva de se poder olhar o futuro".

"O projeto mais ambicioso e que vai durar mais tempo", já que não se trata apenas "de uma requalificação, mas de fazer um novo museu no mesmo local onde se encontra o museu de hoje", referiu Piteira Lopes.

Quanto ao Museu do Teatro, "uma aspiração muito antiga de Cascais", responde a uma necessidade efetiva de recuperação do Espaço Memória do Teatro Experimental de Cascais (TEC).

Para isso, os arquitetos Miguel Arruda e José Manuel Castanheira estão a projetar "um espaço completamente inovador que aproveite do ponto de vista cenográfico as ruínas da Quinta da Alagoa", também com o objetivo de alargar os equipamentos culturais a outras freguesias do concelho, neste caso Carcavelos-Parede, ficando o espaço dotado de um auditório.

  • Fonte: Rádio Renascença
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