Alunos de Arqueologia da UMinho escavam vestígios com milhares de anos

Alunos de Arqueologia da UMinho escavam vestígios com milhares de anos

  • 25/08/2026 02:30
  • Redação

Cerca de uma centena de estudantes de Arqueologia da Universidade do Minho participou, durante este verão, em trabalhos de campo realizados em oito concelhos de Portugal e Espanha.

As escavações e ações de investigação decorreram em Alfândega da Fé, Arcos de Valdevez, Braga e Vila Velha de Ródão, em Portugal, e em Pontevedra, Ourense e León, na Galiza.

A iniciativa, que se repete todos os anos durante cerca de um mês, atingiu este ano um número recorde de locais envolvidos. Para os estudantes, representa uma oportunidade de aplicar no terreno os conhecimentos adquiridos na universidade, através de estágios acompanhados por docentes e investigadores.

Em Alfândega da Fé, no distrito de Bragança, a investigação levou os alunos até vários locais com vestígios de arte rupestre. Em Eucísia, Gouveia e Valverde foram identificadas gravuras com milhares de anos, incluindo motivos com cerca de seis mil anos no Olival do Soldado.

Os trabalhos incluíram a limpeza dos afloramentos, recolha de materiais e registos através de tecnologia de captura 3D, com o objetivo de contribuir também para a valorização e divulgação daquele património arqueológico.

Em Vila Velha de Ródão, 14 estudantes participaram na primeira Escola de Arqueologia promovida no município. A investigação centrou-se na ribeira do Açafal, uma área de grande importância para o estudo do Paleolítico europeu.

Já em Braga, os trabalhos concentraram-se na evolução da cidade desde a época romana até à atualidade. A Colina da Cividade voltou a ser um dos principais pontos de investigação, numa área onde a UMinho desenvolve estudos arqueológicos desde a década de 1970 e onde são conhecidos vestígios como o teatro e as termas romanas.

Nos Arcos de Valdevez, a investigação incidiu sobre a paisagem do Extremo, onde existem três fortes construídos no século XVII. O trabalho juntou arqueologia, ambiente, agricultura, arquitetura e património, num projeto com participação internacional.

Em As Torres, no município de Tomiño, em Pontevedra, junto ao rio Minho, os trabalhos permitiram identificar diferentes fases de ocupação, desde uma mina romana reutilizada até estruturas defensivas da Baixa Idade Média e da Guerra da Restauração.

Foram ainda recolhidos cerca de 700 objetos, entre materiais cerâmicos, metálicos, líticos e elementos relacionados com atividades lúdicas.

Em Casaio, na província de Ourense, os alunos da UMinho participaram no estudo da ocupação tardo-romana e da Alta Idade Média, em colaboração com universidades espanholas. O trabalho incluiu registo estratigráfico, tratamento de materiais e interpretação histórica, mas também contacto direto com as comunidades locais.

Também em Armea, no município de Allariz, os estudantes participaram nas escavações de um importante conjunto arqueológico. Na Cibdá de Armea foram identificadas novas estruturas habitacionais ao longo de uma rua empedrada e uma construção circular, reforçando o conhecimento sobre a ocupação romana daquele povoado castrejo.

Em León, a investigação levou os alunos ao Castro de los Judíos, um projeto dedicado ao estudo das comunidades judaicas medievais e da sua relação com os centros urbanos de maioria cristã.

Além dos estudantes da UMinho, participaram nas iniciativas professores e alunos de instituições estrangeiras, nomeadamente da Universidade Rovira i Virgili, em Espanha, e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no Brasil.

A diretora da licenciatura em Arqueologia da UMinho, Fernanda Magalhães, citada em comunicado, adianta que estão a ser preparadas novas parcerias com municípios portugueses e universidades espanholas e brasileiras.

O objetivo é aumentar as oportunidades de trabalho de campo, reforçar a internacionalização e proporcionar aos futuros arqueólogos uma formação cada vez mais ligada a contextos reais de investigação.

Para além da descoberta e estudo de vestígios arqueológicos, os projetos pretendem também aproximar as comunidades do seu património e contribuir para a sua valorização.

  • Fonte: Rádio Renascença
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