Lourdes cobre mosaicos de Rupnik e proíbe missas da Fraternidade São Pio X antes da visita de Leão XIV

Lourdes cobre mosaicos de Rupnik e proíbe missas da Fraternidade São Pio X antes da visita de Leão XIV

  • 25/08/2026 03:08
  • Redação

O bispo de Tarbes e Lourdes, Jean-Marc Micas, decidiu mandar cobrir todos os mosaicos de Marko Rupnik na fachada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, no Santuário de Lourdes, antes da visita do Papa Leão XIV, marcada para 26 e 27 de setembro.

Rupnik, sacerdote e artista esloveno, é acusado por várias mulheres, sobretudo religiosas, de abusos sexuais, espirituais e psicológicos. O sacerdote foi expulso da Companhia de Jesus em 2023 e enfrenta um processo canónico no Dicastério para a Doutrina da Fé.

“O meu papel é garantir que o Santuário acolhe todos, especialmente aqueles que sofrem”, afirmou Jean-Marc Micas, defendendo que as vítimas de abusos e agressões sexuais, crianças e adultos, devem ter uma atenção prioritária em Lourdes.

O bispo considera que a presença dos mosaicos se tornou um obstáculo para algumas vítimas que pretendem visitar o Santuário. A decisão de os cobrir surge depois de outras medidas adotadas nos últimos anos.

Em julho de 2024, o prelado determinou que os mosaicos deixassem de ser iluminados durante a noite e nas procissões. Já em março de 2025, foram cobertos os mosaicos existentes nas portas de entrada da Basílica do Rosário.

Os restantes mosaicos, que representam os Mistérios Luminosos do Rosário, tinham permanecido visíveis até agora. A nova decisão prevê que toda a fachada seja coberta.

D. Jean-Marc Micas esclareceu que a cobertura não será apenas uma medida temporária para a visita de Leão XIV.

Depois da passagem do Papa por Lourdes, será iniciado um novo processo de reflexão sobre o futuro da fachada da basílica. A comissão que acompanha o caso será alargada, nomeadamente com a participação de artistas e teólogos.

O objetivo, segundo o bispo, é encontrar uma solução que tenha em conta tanto a dimensão artística das obras como, sobretudo, a situação das vítimas.

A decisão ocorre poucas semanas antes da visita de Leão XIV a Lourdes, onde o Papa deverá também abordar a questão dos abusos sexuais na Igreja. O Vaticano indicou ainda que o pontífice deverá encontrar-se em privado com vítimas de abusos durante a viagem a França.

D. Jean-Marc Micas revogou a autorização que permitia aos sacerdotes da FSSPX celebrar Missas, sacramentos e orações públicas no interior do Santuário de Lourdes. A decisão foi anunciada num comunicado de 13 de agosto e está relacionada com o decreto publicado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé na sequência das recentes ordenações episcopais da Fraternidade.

A 1 de julho, a FSSPX ordenou quatro bispos sem mandato pontifício. No dia seguinte, o Dicastério para a Doutrina da Fé declarou que os quatro bispos ordenados — Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier — incorreram em excomunhão latae sententiae. O decreto atingiu também o bispo Alfonso de Galarreta e o bispo Bernard Fellay, por participação nas ordenações.

Perante esta situação, o bispo de Lourdes afirmou que já não podia autorizar as celebrações da Fraternidade no interior do Santuário.

A decisão não impede, contudo, os fiéis de se deslocarem à Gruta ou a outros espaços do Santuário para rezarem em privado.

“Confio a minha decisão à misericórdia de Deus”, afirmou, reconhecendo a dor e a incompreensão que a medida poderá provocar e lamentando as divisões que, segundo o bispo, “escandalizam os mais pequenos e dificultam o testemunho evangélico”.

As duas decisões — sobre os mosaicos de Rupnik e sobre as celebrações da FSSPX — colocam Lourdes perante uma fase de profundas mudanças, com a proteção das vítimas e a unidade da Igreja no centro das decisões do bispo, precisamente no período que antecede a visita de Leão XIV.

O Papa Leão XIV vai visitar França entre 25 e 28 de setembro, numa viagem que inclui passagens por Paris, Lourdes e Metz, três cidades escolhidas para diferentes momentos do programa.

A visita começa em Paris, onde o pontífice será recebido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e por outras autoridades no Palácio do Eliseu. No primeiro dia, Leão XIV terá ainda um momento de intervenção na UNESCO, rezará na Catedral de Notre-Dame e presidirá a uma vigília com jovens no Estádio Saint-Denis.

Nos dias 26 e 27 de setembro, o Papa estará em Lourdes, dedicando o fim de semana ao conhecido santuário mariano. Entre os momentos previstos estão a celebração da missa, a oração junto à Gruta das Aparições, encontros com diferentes representantes e realidades da Igreja francesa e a participação na recitação do terço e na procissão das velas.

A última etapa da viagem será Metz, na segunda-feira, 28 de setembro. A cidade, associada a Robert Schuman, considerado um dos pais fundadores da União Europeia, recebe Leão XIV para vários encontros centrados na paz, no diálogo e nas raízes europeias.

No Centro de Congressos Robert Schuman, o Papa participará num encontro inter-religioso e intervirá numa sessão dedicada ao tema “Raízes da Europa pela paz no mundo”. A visita termina com a celebração da missa na Catedral de Santo Estêvão.

A Santa Sé confirmou ainda que, durante os quatro dias de visita, Leão XIV terá um encontro reservado com vítimas de abusos cometidos no contexto da Igreja.

  • Fonte: Rádio Renascença
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