Hotelaria do Algarve alerta para “turismo de bebedeira” e pede mudança no perfil dos visitantes

Hotelaria do Algarve alerta para “turismo de bebedeira” e pede mudança no perfil dos visitantes

  • 25/08/2026 06:23
  • Redação

“Eu não creio que isso seja uma machadada na imagem de segurança do destino, porque o destino, no conjunto geral, é visto como seguro e é visto como um destino de famílias”, afirmou Hélder Martins.

O responsável pela associação que representa a hotelaria algarvia considera, contudo, que é necessário discutir “que tipo de turismo nós queremos”.

“Durante uma parte significativa do ano, temos um turismo de bebedeira, temos um turismo de despedidas de solteiro, que são daqueles movimentos que pior imagem dão ao destino”, afirmou.

Hélder Martins garante que a maioria dos empresários do setor não pretende que esse seja o principal perfil turístico da região.

“Temos de decidir se queremos esse turismo ou não queremos. Eu não tenho a mínima dúvida, a maior parte dos nossos associados não querem. Não é esse o turismo que queremos”, afirmou.

O responsável reconhece, contudo, que existe uma dimensão económica associada a este tipo de visitantes e que essa realidade dificulta a mudança.

“Ele continua a existir porque ele provoca muito negócio. Há pessoas que às 10 da manhã já faturaram 2,3 mil euros em cerveja e isso é uma realidade”, explicou.

Apesar disso, considera que este fenómeno deve permanecer limitado a determinadas zonas.

“É uma realidade apenas num pequeno espaço do Algarve, ou em vários pequenos espaços do Algarve, mas ele não pode alastrar o Algarve porque não é este tipo de turista que o Algarve precisa”, defendeu.

Hélder Martins aponta ainda exemplos de destinos que, segundo afirma, já procuraram alterar o seu posicionamento turístico, como Ibiza e Magaluf.

“Alguns dos destinos que eram mais característicos nesta área, nomeadamente Ibiza, nomeadamente Magaluf, têm feito essa alteração e têm melhorado o seu produto turístico e deixaram de ser um atrativo para este tipo de turista”, afirmou.

Para o presidente da associação hoteleira, o Algarve deve seguir o mesmo caminho e deixar de estar associado a visitantes que procuram sobretudo álcool e diversão sem limites.

“Posso, com estas palavras, estar a ferir a suscetibilidade de alguns empresários que tenham no seu negócio esta base, mas um destino turístico como o Algarve não pode estar vocacionado para este tipo de turista”, sublinhou.

Hélder Martins defende ainda uma alteração do próprio produto turístico oferecido em algumas zonas da região.

“O que temos é que deixar de ter um produto turístico em que se possa beber 24 horas, se possa andar na rua alcoolizado e se possa fazer aquilo que se quer fazer”, afirmou.

O responsável considera que existe também uma dimensão legislativa que deve ser analisada, uma vez que, na sua perspetiva, as atuais regras permitem comportamentos que prejudicam a imagem do destino.

“Hoje as leis dão possibilidade a quem quer fazer estes excessos de os fazer”, afirmou.

Além da mudança do perfil turístico, Hélder Martins defende que o reforço de segurança existente durante o verão deve ser prolongado para o resto do ano.

“O reforço que se consegue trazer para o Algarve no verão fosse um reforço ao longo do ano”, pediu, considerando que a presença policial tem um efeito dissuasor.

O responsável defende ainda um reforço da fiscalização noutras áreas, nomeadamente no combate à venda de estupefacientes.

“Se tivermos forças policiais presentes, estes assuntos vão ser diminuídos”, afirmou.

Para Hélder Martins, o objetivo passa por garantir que o Algarve continue a ser reconhecido como um destino turístico seguro e orientado para famílias, evitando que a imagem associada ao excesso de álcool e à vida noturna se sobreponha ao restante território.

O condutor foi detido pouco depois do atropelamento e apresentou uma taxa de álcool no sangue de 1,29 g/l. Foi também submetido a exames toxicológicos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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