Carneiro classifica de “levianas” declarações de Hugo Soares que o comparam a Ventura
- 25/08/2026 08:37
- Redação
“Quem se entretém nesse tipo de pingue-pongue verdadeiramente não sabe aquilo de que o país precisa. Eu tenho pena que o Governo que foi escolhido pelos portugueses esteja deslocado daquilo que são as preocupações das pessoas”, afirmou José Luís Carneiro, depois de uma visita à Escola de Hotelaria, em Chaves, no distrito de Vila Real.
Depois da insistência dos jornalistas para comentar as declarações de Hugo Soares, que acusou os líderes do PS e do Chega de estarem “cada vez mais parecidos” e de “navegarem no populismo”, demonstrando “impreparação para serem alternativas” ao atual Governo da AD, José Luís Carneiro afirmou que se tratam de “declarações levianas de quem se vê que nunca teve experiência executiva”.
Antes, já tinha dito que responde sempre ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, que considera ser o seu principal interlocutor.
“É ele que eu verdadeiramente disputarei a função quando chegarem as eleições”, sustentou.
José Luís Carneiro salientou que o PS está a trabalhar para servir o país e a construir uma “alternativa clara”.
“E é isso que eu estou a construir. Uma coisa é uma oposição para destruir as instituições, como afirmou o doutor Francisco Assis, que querem destruir o regime. Aliás, não o esconderam, têm-no mesmo anunciado. Outra coisa é quem está na oposição e está a construir uma alternativa sólida, de confiança e credível para servir os portugueses. Essa é a mesma alternativa do Partido Socialista”, sublinhou.
Antes da sua intervenção, o eurodeputado socialista Francisco Assis tinha classificado como “absolutamente incompreensível” e inadmissível a comparação feita por Hugo Soares, realçando que existe uma “diferença profunda entre o PS e o Chega na vida política nacional”.
Questionado sobre como se sente ao ser colocado no mesmo patamar de André Ventura, José Luís Carneiro afirmou: “Eu quero dizer que o Partido Socialista e o secretário-geral do PS são alternativas sérias e credíveis para servir o nosso país.”
O líder socialista referiu ainda que já se sabe que existe outro partido que quer “destruir as instituições” e que “não tem equipa” e “não tem programa”.
“Nós queremos contribuir, como aliás temos feito, para a estabilidade política e para uma proposta de serviço político ao país que corresponda ao interesse das nossas gentes e do nosso país. Naturalmente que há matérias que são matérias sensíveis, em relação às quais o Governo deve ter uma especial atenção”, afirmou.
Entre essas matérias estão a revisão da Constituição e a segurança das pensões.
“Portanto, o Governo e o primeiro-ministro têm de dar uma palavra pública aos portugueses para mostrarem que, efetivamente, podem estar tranquilos. O PS será sempre um garante da segurança das pensões. E já mostramos no passado como é possível reformar e consolidar o nosso sistema de pensões sem colocar em causa os seus fundamentos principais”, sublinhou.
E acrescentou: “Os portugueses podem confiar em nós porque o PS quer ser mesmo o garante da segurança das pensões”, matérias que, segundo afirmou, transmitiu ao primeiro-ministro.
Nesta passagem por Chaves, José Luís Carneiro fez questão de sublinhar que a sua “grande preocupação é que o país saiba aproveitar dois terços do território que estão hoje em inutilidade económica” e que têm, na sua perspetiva, um potencial imenso para garantir o crescimento da economia e criar uma economia capaz de pagar melhores salários.
“E é essa a razão porque eu me encontro agora aqui a fazer o percurso pela raia na valorização dos agrupamentos de cooperação territorial transfronteiriça, tendo em vista mostrar ao país que há um potencial que está por valorizar e por aproveitar no território e também nas pessoas”, afirmou.
Segundo o líder socialista, existem pessoas de “grande valor, de grande envergadura intelectual, cultural, científica, técnica e empresarial” que também têm de ser valorizadas.
A passagem de José Luís Carneiro por Chaves está integrada na nova rota pelo país, desta vez dedicada à valorização do interior e à cooperação com Espanha, tendo como objetivo apresentar uma “agenda estratégica” depois de realizado o diagnóstico.
Depois de Chaves, Carneiro segue para Vinhais, Vila Nova de Foz Côa e Freixo de Espada à Cinta, onde termina o dia.