Lando Norris “está a um nível muito forte”: Tiago Monteiro prevê “grande luta” entre Mercedes e McLaren na F1

Lando Norris “está a um nível muito forte”: Tiago Monteiro prevê “grande luta” entre Mercedes e McLaren na F1

  • 25/08/2026 09:02
  • Redação

“Ele chegou muito forte, chegou confiante, chegou com um alívio muito grande de ter conseguido, da forma como conseguiu, ser campeão do mundo e, a partir daí, tudo o que vier já é tudo lucro”, considera Tiago Monteiro, questionado sobre as recentes performances do campeão de 2025.

“Foi difícil, implementar tudo, também pelos problemas mecânicos e técnicos, e pela performance do carro. Mas, a partir do momento que as coisas começaram agora a estar mais encaminhadas, claramente ele está a um nível muito forte, muito confiante e, sem dúvida, é um dos pilotos a bater”, acrescenta.

Piloto na F1 em 2005 e 2006, Tiago Monteiro aponta haver “uma parte de confiança pessoal”, assim como “de pilotagem, de trabalho com a equipa técnica”, na diferença visível atualmente entre Norris e Oscar Piastri, colega na McLaren: “Estive em Singapura o ano passado, e tive a oportunidade de passar bastante tempo com os dois, e com algumas das pessoas da equipa técnica deles, e foi impressionante a diferença. (...) Estamos a falar de duas equipas quase separadas dentro da McLaren, cada uma trabalha à sua maneira”.

Kimi Antonelli lidera o campeonato com uma vantagem de 59 pontos face a George Russell e Lewis Hamilton, no segundo e terceiro lugar, e 83 pontos à frente de Lando Norris. Uma vantagem acumulada nas primeiras corridas da temporada, principalmente com as cinco vitórias consecutivas.

“Já há alguns meses que as coisas estão a inverter um pouquinho, com novas forças a chegarem-se cada vez mais perto e, sobretudo, a McLaren a dar um grande salto e a Mercedes a começar a sentir um pouco a pressão, claro, ainda com muita força”, reconhece Tiago Monteiro, “mas já não é aquele domínio que estávamos a ter ao início, por isso acho que vai ser aqui até ao final uma grande luta”.

“Fácil não vai ser”, sublinha. “O carro da Mercedes é um excelente carro, ainda, e continua a ser provavelmente o melhor em geral”, mas o resultado “vai depender também de pista a pista”.

Pedro Sousa, engenheiro na McLaren entre 2000 e 2005, não está surpreendido com a evolução da equipa: “A McLaren já mostrou que tem um carro fortíssimo e, se pensarmos no campeonato anterior, com as regras anteriores, eles conseguiram ter um carro muito difícil de bater, praticamente impossível até ao final das regras. E eu acho que eles estão se a preparar para estar numa situação dessas”.

“Levaram este tempo todo, se calhar até agora à pausa de verão, para de alguma maneira entender como é que haviam de otimizar várias coisas a nível do motor, e isso é bem mais complicado do que as pessoas pensam”, diz o especialista em engenharia de estruturas, dando o exemplo do “esquema todo de arrefecimento do motor” como algo que não passa da Mercedes para a McLaren, que recebeu da marca alemã apenas “alguns parâmetros” sobre os novos motores.

Apesar de referir o potencial desconhecido do novo motor da Ferrari, que a Scuderia deve estrear no GP da Itália — e, de acordo com a imprensa nacional, cortará em metade o défice de potência para os motores da Mercedes —, Pedro Sousa tem “a sensação de que a McLaren vai ser mais forte a partir de agora e, se calhar, vai continuar à frente da Ferrari”, graças a ser “um bocado mais pragmática”.

Tem sido Lewis Hamilton a liderar o esforço do lado da Ferrari no campeonato deste ano. O britânico é o único piloto a pontuar em todas as corridas em 2026, e tem sido consistentemente mais rápido que Charles Leclerc, além de ter vencido pela primeira vez com a equipa italiana. Uma reviravolta, depois da temporada tórrida de 2025.

“Chegou ali a um ponto tão baixo, tão baixo, tão baixo na cabeça dele, mas ao mesmo tempo foi essa força que lhe deu capacidade de continuar a trabalhar, acreditar nele e na sua estrutura à volta”, acredita Tiago Monteiro, que estava a jantar com o atual diretor de equipa da Ferrari, Frédéric Vasseur, quando “ele recebeu o telefonema do Hamilton a confirmar” a ida para Maranello.

“Eu achei um grande risco, sinceramente”, conta. “Nessa noite, ele [Vasseur] disse-me que não queria necessariamente a velocidade final, apesar de ele acreditar que ele ainda tinha, mas era toda a experiência e a estrutura profissional do Hamilton para ajudar o Leclerc”.

“Ele diz ‘o Leclerc para mim é um dos melhores pilotos, um dos mais rápidos, mas não tem ainda cabeça, não está ainda profissionalmente estruturado para ser um verdadeiro campeão do mundo e preciso de alguém com a experiência do Hamilton para o ajudar’”, continua Tiago Monteiro, apostando que o heptacampeão pode ter na Ferrari “um futuro um pouco à Alonso”.

Já Pedro Sousa acredita que Hamilton está numa “posição melhor que [Michael] Schumacher quando voltou à Mercedes depois da Ferrari”.

“Eu acho que a Ferrari, se calhar, está em melhor posição nesta altura que a Mercedes estava naquela, e eu acho que o Hamilton também está em melhor estado, a nível físico e psicológico”, pelo que o engenheiro não descarta que Hamilton tenha “um resultado melhor do que se julga”.

Max Verstappen assinou um novo contrato com a Red Bull e, assim, deixou a continuidade de Fernando Alonso como a grande questão em aberto no mercado de pilotos da Fórmula 1.

No GP dos Países Baixos, o piloto espanhol tornou-se no primeiro desde Graham Hill, em 1974, a marcar pontos na F1 após completar 45 anos de idade. Quão mais longe pode o campeão de 2005 e 2006 chegar?

“Só ele é que sabe e já me surpreendeu tanto que pode continuar a surpreender, assinando para mais um ano ou dois, e continuar a ser a ser eficaz e rápido”, admite Tiago Monteiro, piloto na F1 nos anos dos títulos de Alonso. “Ele estava lá antes de eu entrar e continua lá, e continua a fazer brilharetes, por isso é um caso único”.

“Ele não é um piloto normal, faz parte daqueles poucos que são realmente casos muito especiais”, diz o português sobre Alonso, que também já venceu as 24 Horas de Le Mans, e de Daytona, e já participou no Rally Dakar. “Eu sempre gostei muito dele, sempre me inspirei muito nele, na sua abordagem, na sua forma de ver as coisas, na sua frieza, no seu profissionalismo, na sua dedicação, e continua a impressionar-me, por isso eu diria que sim, que ele é capaz de mais”.

“A única decisão vai ser da cabeça dele, se ele tem realmente vontade, porque é um esforço incrível”, sublinha Tiago Monteiro. Mas pode o facto de Alonso ter sido pai recentemente influenciar a decisão? “Não é isso que o vai fazer tomar a decisão, vai ser mesmo performance (...). O filho não trazer até mais alegria”.

“Nunca foi um dos pilotos se calhar mais rápido em qualificação, mas a nível de corrida, se calhar não há muito piloto que consiga manter o ritmo dele”, aponta Pedro Sousa. “É daqueles pilotos que consegue ir a 95% o tempo todo. É uma garra completamente impressionante. Sabe-se defender como poucos”.

O engenheiro, que passou pela McLaren, Red Bull, Haas, Williams e Cadillac, acredita que uma saída de Alonso obriga a Aston Martin “ter alguém para fazer o trabalho dele com conhecimento”, já que “o outro piloto da Aston Martin [Lance Stroll] se calhar não é propriamente a ajuda que eles precisam”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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