Câmaras do Oste contra exploração mineira de mais de 100 hectares a céu aberto

Câmaras do Oste contra exploração mineira de mais de 100 hectares a céu aberto

  • 25/08/2026 05:47
  • Redação

As câmaras de Óbidos e de Peniche querem impedir a exploração mineira “Royal China Clay”, pedida pela empresa de Viana do Castelo, Motamineral. O projeto está atualmente em consulta pública.

Em causa, segundo o município de Óbidos, que estranha que este pedido tenha sido feito em agosto no período de férias, está uma exploração mineira a céu aberto com cerca de 107,7 hectares - 51,4 hectares dos quais correspondem à área diretamente intervencionada.

A produção média estimada será de 569 100 toneladas por ano durante 20,5 anos. Isto sem contar com as fases de desativação e monitorização.

Aquele município diz que a exploração está “administrativamente prevista para a freguesia da Serra d’El-Rei, no concelho de Peniche”, mas alega que “os seus efeitos não respeitam fronteiras administrativas e terão consequências muito negativas no concelho de Óbidos e na Região Oeste”.

Em comunicado a autarquia de Óbidos diz que está particularmente preocupada com “a delapidação cumulativa dos recursos naturais e territoriais”.

E detalha que o projeto trará um “elevado consumo de água nas operações industriais de lavagem, a remoção e degradação dos solos, a perda de flora, fauna e habitats, a alteração irreversível da paisagem e a descaracterização do modelo territorial sustentável que Óbidos e a Região Oeste têm vindo a construir”.

A isto, segundo o município de Óbidos junta-se “a circulação intensiva de camiões de elevada tonelagem numa rede viária essencialmente preparada para veículos ligeiros, a degradação das estradas, o aumento do risco rodoviário e a pressão continuada sobre as populações, decorrente do ruído, das vibrações, das poeiras e das partículas em suspensão”.

Filipe Daniel afirma ainda que este projeto "tem um impacto muito significativo para as próximas gerações, nomeadamente na qualidade do ar que se respira, na qualidade de vida que se vive e tudo aquilo que tem sido o sistema de desenvolvimento social e económico".

Por estas razões, “o Executivo Municipal de Óbidos defenderá, no âmbito deste procedimento, a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental desfavorável”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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