Raimundo acusa governo de fazer negócio com privados com dinheiro público na ferrovia
- 25/08/2026 19:07
- Redação
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, defendeu hoje que o dinheiro público investido na ferrovia deve ser colocado ao serviço da população e não dos privados, acusando o Governo de querer fazer negócio “à conta do esforço” dos portugueses.
“Nós precisamos, de facto, de investimento, mas que esse investimento seja colocado ao serviço público e em benefício público e não em benefício dos privados”, destacou Paulo Raimundo.
O líder do PCP, que falava à margem da apresentação do livro “Dossier: Desastre na Ferrovia - 35 anos de Liberalização”, das Edições Avante!, que decorreu hoje na Estação do Rossio, em Lisboa, considerou ser necessária “mais disponibilidade para resolver o problema do transporte público e não o caminho da privatização”.
“O Governo vai comprar comboios com o nosso dinheiro, com os nossos impostos. (...) Vai modernizar as linhas com o nosso dinheiro (...). E, depois de tudo isso, diria assim, depois de composto o ramalhete, vai entregar a exploração aos privados”, afirmou Paulo Raimundo.
Questionado sobre um estudo da Autoridade da Concorrência (AdC) que defende a abertura da ferrovia à concorrência e a entrada de novos operadores, o líder do PCP deu como exemplo a Fertagus, acusando a operadora de ser “incapaz de garantir o transporte dos utentes da Margem Sul para Lisboa e de Lisboa para a Margem Sul”.
“E o que é mais extraordinário é que a CP está impedida de pôr comboios da CP a circular na linha [da Fertagus]. Exatamente pelo contrato de concessão que está feito. (...) Talvez a AdC não tenha lido essa alínea B do contrato de concessão”, frisou Paulo Raimundo.
Ainda sobre a Fertagus, Paulo Raimundo apontou-a como exemplo de uma concessão feita a uma empresa que “não faz investimento nenhum e que não resolve o problema dos utentes”.
“Porque a sua principal preocupação não é resolver o problema dos utentes. A sua principal preocupação é garantir as rendas que o Estado paga e lucrar o máximo possível”, sublinhou o líder comunista.
Paulo Raimundo referiu-se ainda ao atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, e ao atual ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, realçando que foram responsáveis por dar cobertura política ao Governo liderado por Pedro Passos Coelho, que “na altura foi o governo que mais linhas encerrou”.
“Não nos esqueçamos do que é que o atual ministro Pinto Luz fez à 25.ª hora do Governo PSD-CDS de Passos Coelho, quando foi a correr privatizar a TAP”, sublinhou.
Sobre o livro “Dossier: Desastre na Ferrovia - 35 anos de Liberalização”, apresentado hoje, Paulo Raimundo referiu que é uma obra que alerta para a situação e denuncia problemas na ferrovia, mas que também “propõe as soluções”.
“Dá vários exemplos concretos de como este processo que se quer aqui implementar faliu. (...) Faliu na Inglaterra, onde hoje há um processo de renacionalização daquilo que começou há 30 anos a ser privatizado”, apontou.
O líder comunista fez ainda um apelo “aos utentes, aos operadores ferroviários, aos patriotas, para que não permitam” o que classificou como um “assalto aos recursos públicos”.