Irão e Omã chegam a acordo sobre Ormuz, mas Teerão deixa aviso aos EUA
- 26/08/2026 09:20
- Redação
O Irão e Omã chegaram a um acordo sobre a divisão do controlo e das receitas do Estreito de Ormuz, mas a importante via marítima continuará bloqueada caso os Estados Unidos não aceitem as condições definidas, afirmou esta quarta-feira a Guarda Revolucionária do Irão, segundo a Reuters.
Os dois países mantêm há várias semanas negociações sobre o controlo do tráfego marítimo no estreito, uma das principais rotas energéticas mundiais. Antes do início da guerra, em fevereiro, cerca de um quinto dos carregamentos globais de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo Estreito de Ormuz.
A maior parte do transporte marítimo foi, entretanto, interrompida, provocando perturbações nos mercados energéticos, enquanto Teerão e Washington procuram afirmar o controlo sobre a passagem através de bloqueios distintos.
“O Estreito de Ormuz pertence ao Irão e ao país de Omã... Estamos em negociações com Omã há cerca de um mês e alcançámos resultados aceitáveis para ambas as partes”, afirmou o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica, Hossein Mohebbi, em declarações divulgadas pelos meios de comunicação estatais iranianos, citadas pela Reuters.
“Nestas negociações, foram alcançados acordos relativamente à participação de cada país nas águas do estreito e à participação do Irão e de Omã nas suas receitas”, acrescentou.
A Guarda Revolucionária acusou os Estados Unidos de tentarem impedir as negociações entre o Irão e Omã, alegando que a interferência norte-americana contribuiu para o adiamento do acordo.
“Se os Estados Unidos deixarem de obstruir e regressarem ao acordo, poderemos abrir o Estreito de Ormuz no âmbito do acordo alcançado”, afirmou Mohebbi.
Contudo, deixou uma condição clara: “Se os Estados Unidos não aceitarem as nossas condições, o Estreito de Ormuz não será aberto em circunstância alguma.”
Apesar de as hostilidades diretas entre os Estados Unidos e o Irão terem diminuído nas últimas semanas, os ataques contra navios continuam, mantendo a passagem pelo estreito numa situação considerada perigosa.