Marques Mendes cansado da “crispação”pede aos partidos "humildade democrática" e entendimentos políticos

Marques Mendes cansado da “crispação”pede aos partidos "humildade democrática" e entendimentos políticos

  • 25/08/2026 19:11
  • Redação

Ao fim de duas horas de conferência, Mendes não conseguiu passar ao lado da atualidade política e apelou aos partidos políticos para terem “humildade democrática” e chegarem a entendimentos para colocarem um ponto final no clima de crispação que se vive atualmente na política.

“Eu olho às vezes para a vida política nacional e parece que vamos ter eleições nos próximos meses. É tudo num clima de crispação, da direita à esquerda, um clima quase de campanha eleitoral”, começou por afirmar para deixar um apelo a consensos.

“É preciso um pouco de humildade democrática, sentido de responsabilidade, alguns entendimentos políticos, não precisam ser muitos, mas há alguns, para o país seguir em frente. O país é mais importante que a circunstância que somos cada um de nós”, disse.

O recado estava dado, mas Marques Mendes queria ainda deixar outro aviso sobre a revisão constitucional que deve ser cirúrgica.

Num artigo de opinião no jornal Público, o antigo líder social-democrata já defendeu que uma revisão mais ampla e profunda só vai servir para alimentar um combate político “estéril, quiçá populista e radical”. Esta quarta-feira à noite foi mais longe ao dizer que a atual constituição “não é nenhuma força de bloqueio”.

“Eu não acho que hoje seja necessária uma grande revisão constitucional. Nem acho sequer que seja uma prioridade. A Constituição não é hoje uma força do bloqueio. Não há nenhum problema na saúde, na habitação, na educação, na economia, que precise de mudanças constitucionais”, referiu Marques Mendes.

Mendes não defende uma revisão, mas diz que “ela vai ocorrer no próximo ano”, e, por isso, deixou as matérias que podem ser alvo de alterações, como os metadados ou as questões relacionadas com a Inteligência artificial.

“O regime de metadados, o regime de saúde em matéria de pandemia. Há algumas questões relativas aos direitos, deveres e da ética na inteligência artificial. Há vários princípios que talvez possam ser importantes” defendeu Marques Mendes.

Ao lado da jornalista Maria João Avillez, o antigo líder do PSD falou do legado de Francisco Pinto Balsemão na imprensa, mas acima de tudo da coragem e da postura que sempre o acompanhou na vida política.

Aos jovens aconselhou a terem coragem, competência e tolerância princípios que sempre guiaram Balsemão ao longo da sua vida.

“Ele era uma pessoa corajosa, com serenidade, com tranquilidade, sem precisar de ser desagradável com ninguém, mas era corajoso. Ele nunca seguiu o caminho da facilidade. Segundo, competência, nunca sigam a ligeireza. Terceiro, convicções. Nunca troquem convicções por conveniências” disse Mendes aos alunos da Universidade de Verão do PSD.

Mendes considera que Balsemão teve um papel essencial na vida política do país, mas também na vida do PSD quando em momentos chave decidiu a favor do partido.

“No momento em que metade dos deputados abandonou o partido, ele não. E fez pedagogia dizendo basicamente isto. Uma coisa é discordar da estratégia, outra é querer enfraquecer o líder e enfraquecer o partido. Isto é absolutamente notável” disse Mendes sobre o episódio que ocorreu ainda durante a liderança de Sá Carneiro.

  • Fonte: Rádio Renascença
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