Presidenciais em França arrancam com primeiro debate televisivo entre sete candidatos

Presidenciais em França arrancam com primeiro debate televisivo entre sete candidatos

  • 27/08/2026 02:54
  • Redação

O debate, organizado pelo MEDEF, a maior organização patronal francesa, terá lugar às 16h45 locais, no famoso court Philippe-Chatrier, no estádio de Roland-Garros. Um cenário invulgar para dar início a uma campanha presidencial em que os principais candidatos já são conhecidos dos eleitores franceses.

As sondagens apontam para um cenário de déjà-vu, com um possível duelo entre os dois extremos: Marine Le Pen, que surge como favorita, e Jean-Luc Mélenchon.

A questão económica vai estar no centro do debate. Os candidatos terão de responder às propostas de 66 mil dirigentes empresariais, recolhidas ao longo de três meses, com uma questão central: como pode a França criar mais riqueza num contexto económico fragilizado?

À volta da mesa estarão figuras já conhecidas da política francesa: por ordem das sondagens, Marine Le Pen, presidente do Rassemblement National na Assembleia da República, e Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa. Os dois lideram as sondagens, mas é a chefe da extrema-direita francesa quem surge como favorita, com 38% dos votos. Mais ainda, as sondagens indicam que Marine Le Pen poderá vencer qualquer adversário na segunda volta.

Ainda assim, fiel ao seu otimismo, Mélenchon garante acreditar que “a vitória é possível”. Terá, contudo, de compor com as propostas do antigo primeiro-ministro Édouard Philippe (17% das intenções de voto), como, por exemplo, um aumento de 20%, em cinco anos, do salário médio dos professores, que tanto têm protestado contra condições precárias. Mas os sindicatos já vieram a público afirmar que esta proposta é pouco credível “tendo em conta as responsabilidades passadas de Philippe”.

Outro protagonista é Gabriel Attal, jovem centrista e antigo primeiro-ministro durante o segundo mandato de Emmanuel Macron. Pela primeira vez candidato à Presidência (15% nas sondagens), Attal assumiu um passo arriscado ao escolher um jornal próximo da extrema-direita para apresentar o seu programa, começando desde logo pela importância de reforçar o controlo das fronteiras, apontando a recente crise em Ceuta como exemplo dessa necessidade.

À esquerda, abriu-se uma corrida a quem assume a agenda mais ecologista, depois de um ano marcado por uma crise climática sem precedentes em França. O socialista Raphaël Glucksmann centrou o seu discurso nas energias renováveis, piscando o olho ao eleitorado dos Verdes. Promete, aos franceses, “libertar o país das suas adições ao gás e ao petróleo”.

O antigo ministro do Interior, Bruno Retailleau, conhecido pelas suas reformas da lei da imigração em França, e Marine Tondelier, secretária nacional dos Verdes, completam o grupo de candidatos.

Desde o final de julho, três candidatos declarados ou apontados como potenciais candidatos ao Eliseu foram visados por operações de desinformação online. Algumas são atribuídas a redes pró-russas pelas autoridades francesas. Foram visados os antigos primeiros-ministros Édouard Philippe e Gabriel Attal e o eurodeputado Raphaël Glucksmann.

  • Fonte: Rádio Renascença
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