Cheias no Nepal e Tibete fazem pelo menos 270 mortos. Há dois portugueses desaparecidos

Cheias no Nepal e Tibete fazem pelo menos 270 mortos. Há dois portugueses desaparecidos

  • 27/08/2026 03:19
  • Redação

Pelo menos 270 pessoas morreram na sequência das cheias repentinas que atingiram o Nepal e a região do Tibete, na China, depois de um enorme volume de lama e rochas ter caído num rio dos Himalaias e provocado inundações de grandes proporções. Segundo a Reuters, que cita a polícia nepalesa, o número de vítimas mortais poderá ainda aumentar à medida que prosseguem as operações de busca.

Há também dois portugueses entre os cerca de 1.500 desaparecidos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros português está a acompanhar a situação e os esforços para localizar os cidadãos.

As autoridades nepalesas estimam que cerca de 826 pessoas estejam desaparecidas no país, entre as quais quase 466 estrangeiros. No Tibete, no condado de Gyirong, estão dadas como desaparecidas 558 pessoas, incluindo 260 estrangeiros.

Entre os estrangeiros desaparecidos no Nepal encontram-se cidadãos de mais de duas dezenas de países. A Índia é o país com mais desaparecidos, com 177 pessoas, seguindo-se os Estados Unidos, com 63, a Austrália, com 34, o Reino Unido, com 33, e o Canadá, com 25.

Nas últimas horas, o Exército nepalês e as forças de segurança resgataram 123 pessoas com vida, entre as quais quase três dezenas de cidadãos estrangeiros.

O cenário deixado pelas cheias é de grande destruição, com edifícios danificados ou completamente destruídos, além de dezenas de pontes e estradas afetadas.

As operações de socorro estão a ser dificultadas pelo acesso às zonas mais atingidas, onde se acumulam grandes quantidades de lama e detritos.

Mais de 5.000 militares e agentes policiais nepaleses participam nas operações de busca e salvamento. Na quinta-feira, as equipas conseguiram resgatar 125 pessoas, incluindo 20 estrangeiros, segundo o porta-voz do Exército do Nepal, Raja Ram Basnet.

O responsável admitiu que o número de mortos deverá continuar a aumentar. “Isso vai aumentar, pois retomámos a busca e espera-se que mais corpos sejam recuperados”, afirmou à Reuters o porta-voz da polícia nepalesa, Abi Narayan Kafle.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, deslocou-se por estrada ao distrito de Nuwakot, uma das zonas mais afetadas, para avaliar os danos provocados pelas inundações.

Já o Presidente chinês, Xi Jinping, ordenou uma operação de resgate em larga escala para tentar localizar as pessoas desaparecidas na sequência das cheias. O líder chinês pediu ainda o reforço da vigilância e dos sistemas de alerta precoce, de forma a reduzir o risco de novos desastres.

Pequim determinou igualmente o envio de equipas para as zonas afetadas, que vão participar nas operações de busca e salvamento e prestar assistência às populações atingidas.

Perante o isolamento de várias comunidades, helicópteros estão a transportar e a lançar tendas, alimentos e outros materiais de emergência nas zonas mais afetadas. A ajuda inclui material fornecido pela vizinha Índia.

A comunidade internacional começou também a mobilizar meios para responder à emergência humanitária.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou material médico para apoiar as populações afetadas. O porta-voz das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, afirmou que a organização está a coordenar os esforços de socorro perante aquilo que deverão ser “necessidades humanitárias enormes”.

Segundo Dujarric, dois funcionários da OMS já estão no terreno com kits médicos suficientes para apoiar cerca de 10 mil pessoas durante três meses, além de tendas e equipamento logístico. O Programa Alimentar Mundial e a UNICEF deverão também enviar equipas e veículos com material de emergência.

As cheias atingiram uma importante estrada que liga Katmandu, no Nepal, a Lhasa, no Tibete, utilizada por turistas, caminhantes e peregrinos.

O líder espiritual tibetano, Dalai Lama, manifestou esta quinta-feira o seu pesar pela perda de vidas e pelos elevados danos provocados pelas cheias no Nepal e no Tibete.

“Fico entristecido ao saber das inundações devastadoras na região de Rasuwa, no Nepal, e em Kyirong, no Tibete, que resultaram em perda de vidas e graves danos estruturais”, afirmou.

O líder espiritual sublinhou ainda que a região já foi atingida por outras calamidades no passado, considerando que estes acontecimentos podem ser “sintomas de uma causa subjacente mais profunda”, que poderá estar relacionada com as alterações climáticas ou outros fatores.

[notícia atualizada às 9h00 de 27 de agosto de 2026, para atualizar número de vítimas mortais]

  • Fonte: Rádio Renascença
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