Barcelona cancela homenagem a campeões do mundo e convoca "ato de exaltação" da bandeira independentista
- 27/08/2026 08:03
- Redação
O presidente do Barcelona decidiu cancelar a cerimónia de homenagem aos jogadores que se sagraram campeões do mundo por Espanha, esta quinta-feira, e convida a que o jogo com o Athletic Bilbau se converta num "ato de exaltação" da bandeira independentista da Catalunha.
"Decidimos que o ato de reconhecimento aos jogadores do Barça que ganharam o Mundial não se fará porque não se dá o contexto, nem o momento mais apropriado", admitiu Joan Laporta, na quarta-feira.
O clube catalão já comunicou a decisão à Real Federação Espanhola de Futebol, que, segundo Laporta, "entendeu perfeitamente".
"O futebol deve servir para unir e não para gerar enfrentamentos que não convêm a ninguém", reconheceu o presidente do Barça.
Em vez de uma homenagem a Joan García, Eric García, Pedri, Pau Cubarsí, Gavi, Rodri, Dani Olmo e Lamine Yamal, os oito jogadores do Barcelona que conquistaram o Mundial 2026 em julho, a cerimónia converter-se-á num ato de protesto contra a atuação policial do passado domingo em Elche, onde o clube foi jogar. Vários agentes da Polícia Nacional espanhola usaram a força sobre um adepto "culé" menor de idade e confiscaram-lhe uma bandeira "estelada", símbolo da independência da Catalunha.
Pelo que é possível ver nas imagens disseminadas nas redes, um conjunto de oito agentes puxa o jovem em causa para fora de um grupo de adeptos, arrebatando-lhe a bandeira. Um agente atinge o indivíduo com o cassetete, este riposta e, a partir daí, o grupo de polícias parte para o uso de força. Derrubam-no e golpeiam-no três ou quatro vezes, antes de um dos oficiais levantar a mão, em gesto de "basta", e algemar o rapaz.
O jovem foi imputado, no relatório policial sobre o sucedido, com alegados crimes de resistência, desobediência e atentado à autoridade.
O Barcelona condenou rapidamente o que classificou como "uso desproporcionado de força contra sócios e adeptos do clube" e lamentou que "agentes da autoridade tenham confiscado bandeiras 'esteladas'".
"A 'estelada' é um símbolo legal e a sua exibição constitui uma manifestação legítima da liberdade de expressão, e não pode ser considerada, por si só, uma incitação ao ódio ou à violência", sublinhou o clube catalão, em comunicado publicado ainda no domingo.
Embora a lei espanhola não proíba a exibição da bandeira independentista, os agentes de autoridade podem retirá-las se considerarem que pode resultar em altercações com adeptos de outra equipa.
Nas declarações de quarta-feira, Joan Laporta condenou uma vez mais a "atuação desproporcionada e violenta" dos polícias em Elche.
"O que o Barça pede é que esta atuação, uma vez confirmados os factos, tenha o seu castigo", acrescentou o presidente do Barcelona, que se comprometeu a ajudar o adepto em questão e a sua família.
Depois do episódio em Elche, uma falange de adeptos e associações independentistas insurgiram-se contra os planos de homenagear os campeões do mundo. A ideia de, em vez disso, exaltar a bandeira "estelada" reuniu consenso junto dessa franja pró Catalunha.
Não haverá qualquer discurso ou manifesto: apenas a oportunidade de exibir a bandeira. Para o presidente do Barcelona, é uma oportunidade para que "os 'culés' e os catalães possam exibir a 'estelada' sem colocar em perigo a integridade física", ajudando a que o símbolo "deixe de ser estigmatizado pelas forças de segurança do Estado".
"Representa a forma de pensar de muitos 'culés' e catalães, expressa os anais da liberdade e a vontade de sermos livres, e é uma forma de nos expressarmos que não gera violência nem ódio", conclui Laporta.
A Assembleia Nacional Catalã espera repartir dez mil bandeiras para a partida, que será diante do Athletic Bilbau, do País Basco, outro clube cujos adeptos se pautam por um sentimento independentista.