Desastres com glaciares provocaram milhares de mortos nas últimas décadas
- 27/08/2026 12:13
- Redação
Numa altura em que decorrem as operações de socorro no Nepal e no Tibete para tentar encontrar vítimas da enorme enxurrada de quarta-feira, 26 de agosto, recordamos os maiores desastres das últimas décadas com glaciares.
Até esta quinta-feira à tarde, estavam confirmados no Nepal 359 mortos e mais de mil desaparecidos, entre os quais três cidadãos portugueses.
Uma inundação provocada pelo rebentamento de um lago glacial destruiu um terço da cidade de Huaraz, nos Andes setentrionais do Peru, causando cerca de 5.000 mortos. Continua a ser uma das mais mortíferas inundações provocadas pelo rebentamento de lagos glaciais de que há registo.
Um enorme bloco de gelo desprendeu-se do Monte Huascarán, a montanha mais alta do Peru, fazendo deslizar pela encosta, em apenas sete minutos, 10 milhões de metros cúbicos de rocha, gelo e neve.
A avalanche soterrou a aldeia de Ranrahirca e várias povoações vizinhas sob uma camada de 12 metros de lama e detritos, causando cerca de 4.000 mortos.
Um sismo de magnitude 7.9 desestabilizou a vertente norte do Monte Huascarán, desencadeando a mais mortífera catástrofe relacionada com glaciares de que há registo.
Uma enorme massa de gelo glaciário e rocha precipitou-se sobre as localidades de Yungay e Ranrahirca a velocidades de até 335 km/h, soterrando-as em lama e detritos.
A avalanche causou cerca de 25.000 mortos, contribuindo para um balanço global do sismo superior a 50.000 vítimas mortais.
Uma massa de gelo glaciário suspensa desprendeu-se e caiu no Cirenma Co, um lago glacial situado a 14 quilómetros da fronteira entre a China e o Nepal, provocando uma enorme onda que galgou a sua barragem formada por terra e rocha.
O impacto fez com que quase 20 milhões de metros cúbicos de água, gelo e detritos se precipitassem pelo vale em direção ao Nepal.
O incidente causou cerca de 200 mortos no Nepal e provocou danos estimados em até quatro milhões de dólares em pontes, estradas, numa central hidroelétrica e noutras infraestruturas.
Uma grande massa de gelo desprendeu-se do Ronti Peak, perto de Nanda Devi, o segundo pico mais alto da Índia, desencadeando uma torrente devastadora de rochas, poeiras e gelo que percorreu 1.500 metros pelo vale.
O fenómeno provocou uma enorme inundação súbita no estado indiano de Uttarakhand, no norte do país, causando mais de 200 mortos, destruindo aldeias e arrastando duas centrais hidroelétricas.
Mais de 1.000 pessoas estão dadas como desaparecidas no Nepal e no Tibete depois de a parte inferior de um glaciar dos Himalaias ter colapsado e embatido no fundo do vale, desencadeando uma avalanche de gelo e rocha ao longo do rio Lhende Khola, junto à fronteira montanhosa.
A torrente de lama atingiu o porto de Gyirong, no Tibete, e avançou depois para o Nepal, provocando inundações súbitas e de grande velocidade que destruíram estradas e infraestruturas de produção de energia e inundaram aldeias.
Até agora, há 359 mortos confirmados e um milhar de desaparecidos, entre os quais três portugueses.