Montenegro "deseja" acordo na Segurança Social e promete levar tema à campanha eleitoral
- 27/08/2026 15:13
- Redação
Há mais de uma semana que o país anda a debater um estudo sobre a Segurança Social encomendado pelo Governo, mas só esta quinta-feira Luís Montenegro explicou que esse estudo serve para abrir o debate, e espera que nos próximos dois anos seja alcançado um consenso que possa ser adotado na próxima legislatura.
“O meu desejo era que nós pudéssemos ter um entendimento nacional para que, independentemente da força política que ganhasse as eleições, todos se comprometessem a executar a transformação estrutural que dá sustentabilidade a este sistema”, disse Montenegro na Universidade de Verão do PSD, antecipando uma acesa discussão.
“E para nos entendermos precisamos, por assim dizer, de partir muito a pedra. Precisamos de discutir soluções, precisamos de discutir fontes de financiamento para depois concluirmos se vale a pena mudar por aqui, se vale a pena mudar por ali."
O primeiro-ministro garante que a reforma da Segurança Social não vai ser feita nesta legislatura e, para não ser acusado do tema não ter sido discutido antes das eleições, Montenegro garante que vai a votos apresentando a sua proposta.
“Eu, se algum dia propuser essa transformação estrutural, será na base de um compromisso que assumirei com o povo português antes das eleições nas quais me proponho executar esse plano”, prometeu Montenegro.
Ao longo de uma hora e meia, Luís Montenegro respondeu a 10 perguntas dos alunos da Universidade de Verão do PSD, numa transmissão em direto a partir da sede do partido em Lisboa.
No púlpito, de pé, em camisa e com as mangas arregaçadas, Luís Montenegro foi questionado duas vezes sobre Segurança Social e respondeu já na fase final para esclarecer ainda que não é intenção do Governo privatizar o sistema.
“Eu fico, sinceramente, como democrata, desiludido, decepcionado por aquilo que se diz que este Governo quer privatizar a Segurança Social, quer acabar com a Segurança Social. Isso é tudo conversa. Isso é conversa que já ninguém valoriza. Nós já temos provas suficientes que a nossa intenção é precisamente a contrária. É garantir os direitos das pessoas, nomeadamente o direito de receberem a sua pensão e a sua reforma”, reafirma Luís Montenegro.
O primeiro-ministro voltou a dizer que para ele as pensões são sagradas e que se demitiria se alguma vez tivesse de cortar uma pensão de reforma, mas avisa que tem de fazer algo para garantir a sustentabilidade do sistema.
“Quero aqui, já agora a talho de foice, reafirmar que, para nós e para mim pessoalmente, as pensões são sagradas, razão pela qual, disse-o antes de ser Primeiro-Ministro, e já o disse depois de ser Primeiro-Ministro, eu demitir-me-ei se algum dia for obrigado a cortar uma pensão”.