Líderes católicos e muçulmanos contra "profanação" de mesquita em Ourém

Líderes católicos e muçulmanos contra "profanação" de mesquita em Ourém

  • 27/08/2026 16:20
  • Redação

O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, e a Comunidade Islâmica de Lisboa criticaram esta quinta-feira uma ação de propaganda de extrema-direita divulgada nas redes sociais numa mesquita em Ourém, considerando-a uma profanação de um templo religioso.

Para o também presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização, que tem a pasta do diálogo com outras confissões, "é necessário olhar para os outros, para as suas dimensões e expressões culturais e religiosas e para o seu pensamento como contributos para um presente e um futuro melhor”.

Em causa está uma intrusão numa mesquita em Ourém, divulgada nas redes sociais por ativistas de extrema-direita, que já foi objeto de queixa pela Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL).

No comunicado, a CIL recorda que uma sala de oração ou um muçulmano a rezar não constituem uma ameaça, remetendo dúvidas que existam em relação ao uso do espaço "devem ser tratadas pelas entidades competentes" e "não podem servir de pretexto para provocar, humilhar ou criar hostilidade contra uma comunidade religiosa".

Nesse sentido, a CIL "apresentou formalmente uma participação junto das entidades competentes, na sequência da divulgação e declarações ocorridos num espaço de oração muçulmano".

Na sequência do incidente, D. Rui Valério, que é natural do concelho de Ourém, contactou a direção da mesquita invadida e manifestou a sua solidariedade a título pessoal e institucional.

“A nossa história fala por nós. Portugal é um país aberto, estamos na fronteira entre terra e mar e isso deu-nos uma consciência de quem vive bem com a diversidade. Ao longo da nossa história sempre soubemos aceitar o contributo, a identidade e o património de todos os outros, porque Portugal sempre esteve fixo, à vontade e sempre se sentiu bem naquilo que é a sua identidade própria”, sublinha o patriarca de Lisboa.

Sobre a ação de extrema-direita, o patriarca salientou que se verificaram "duas particularidades desagradáveis" que o incomodaram.

Para o responsável católico da Comissão da Missão e Nova Evangelização, é errado usar-se espaços religiosos para fins "que não aqueles que estão estabelecidos pela própria essência, natureza e identidade dos mesmos, que é a oração e o culto".

Por seu turno, a CIL considerou "particularmente preocupantes os comportamentos observados no interior do espaço de oração, incluindo o desrespeito pelos tapetes utilizados para a oração e pelo exemplar do Alcorão, bem como determinadas afirmações dirigidas à religião islâmica e à comunidade muçulmana".

A CIL "continuará a defender o direito dos muçulmanos à liberdade religiosa, à dignidade e à igualdade, sempre dentro dos princípios do Estado de direito e através das instituições da República", pode ainda ler-se no comunicado.

  • Fonte: Rádio Renascença
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