Paulo Raimundo: Governo tem palavra que "não vale nada" e ministros com "rabos de palha"
- 27/08/2026 16:30
- Redação
O Governo garante que a reforma da Segurança Social não é para avançar, mas o Partido Comunista Português não fica sossegado.
Em vésperas da 50ª edição da Festa do Avante, o secretário-geral do partido, Paulo Raimundo, reconhece que a festa comunista ainda vai ser de celebração da derrota do pacote laboral, mas deixa claro que estão prontos para outras lutas, nomeadamente contra eventuais alterações no sistema de pensões.
As críticas ao Governo não ficam por aqui. O secretário-geral comunista admite que, se dependesse de si, o executivo sairia de funções “o mais depressa possível” e olhando ministro a ministro identifica poucos que tenham condições de estar no cargo.
“O ministro Pinto Luz teve aquelas trafulhices, salvo seja, na Câmara de Cascais, é incompatível manter-se no Governo, a ministra da Saúde porque como é uma alta comissária daquilo que é o setor privado que faz da doença negócio não é compatível com o seu posicionamento de ministra da Saúde, o ministro da Administração Interna e as suas práticas pouco recomendáveis”, enumera, rematando: “vamos ser rigorosos e veja-se, do ponto de vista político, quem é que não tem rabos de palha”.
À margem da visita de imprensa ao recinto, Raimundo antecipa ainda o Orçamento do Estado que daqui a algumas semanas terá de dar entrada no Parlamento. O secretário-geral comunista reconhece que “não conhece a letra, mas conhece o horizonte” do documento e deixa desde já recados para o PS e Chega.
“Quem se disponibilizar para viabilizar este Orçamento do Estado [para 2027] terá de assumir as responsabilidades de estar a apoiar uma política contra as necessidades da maioria do país. É uma mensagem para o Partido Socialista que, pelos vistos – e era bom que assim não fosse –, parece que está disponível para viabilizar o Orçamento do Estado e uma mensagem para o Chega que está desejoso que o Partido Socialista viabilize para o Chega não ter de o fazer, sendo que o Chega ainda está mais comprometido com essa política do que o próprio Partido Socialista”, analisa.
Raimundo desvaloriza o assunto e acusa a União Europeia de não ter legitimidade para este tipo de classificações.
“Se os critérios do PCP fossem os critérios de instituições que não têm nenhuma legitimidade para classificar este ou aquele, nós teríamos estado há anos inibidos de fazer uma coisa que nunca fizemos: Nelson Mandela e o ANC considerados forças terroristas a partir dos critérios que definem agora essas forças como terroristas. Portanto, se o nosso critério fosse esse, nunca tínhamos demonstrado solidariedade com a África do Sul contra aquele regime odioso do apartheid”, remata.