Facebook e Instagram: o que vai mudar para os jovens após acordo judicial com a Meta?

Facebook e Instagram: o que vai mudar para os jovens após acordo judicial com a Meta?

  • 27/08/2026 17:55
  • Redação

Vai acabar o "vício" que rouba a atenção dos jovens nas escolas e as brincadeiras de infância? Depois de várias famílias norte-americanas e 29 estados lançarem acusações em tribunal nos últimos meses, a Meta aceitou avançar com um acordo histórico.

Em causa, está a alegada intenção de viciar crianças, obter os seus dados pessoais e mentir sobre o risco destas plataformas.

Depois da avalanche de críticas, o acordo multimilionário vai também obrigar a "gigante" tecnológica a introduzir uma série de novas funcionalidades de segurança nas contas de menores de 18 anos, segundo o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta.

Apesar de ser um caso discutido nos tribunais dos EUA, os novos bloqueios podem ter um efeito global nos próximos meses, já que vários países estão a apelar a medidas regulatórias, inclusive a Comissão Europeia.

Aos olhos dos pais e responsáveis queixosos, estas medidas vão reduzir as chances deste pesadelo para rotinas de sono, educação e concentração das crianças e adolescentes se voltar a repetir – até porque outras aplicações já estão na mira.

YouTube, TikTok e Snapchat podem ter de adotar uma abordagem semelhante, a conselho da própria Meta.

As mudanças das redes sociais da Meta devem acontecer nos próximos meses, nos Estados Unidos.

Duas horas por dia vai ser o tempo que os adolescentes podem estar nas redes, a menos que os pais ou encarregados de educação desativem a funcionalidade.

O limite é cumulativo entre o Facebook e Instagram, ou seja, o menor não vai ter mais duas horas para cada rede social e terá de saber gerir o tempo entre ambas.

A cada 15 minutos de utilização contínua, os utilizadores vão receber um lembrete do tempo gasto no Facebook ou Instagram. Se a utilização total diária ultrapassar os 60 e 90 minutos, também será enviada um alerta.

Entre a meia-noite e as 6h00, os mais novos não vão conseguir consultar o feed, fazer partilhas ou até ver "stories", publicações e reels, bloqueando o perfil dos adolescentes.

Atenção às lições (no caderno)! As notificações também vão ser silenciadas entre as 8h00 e as 15h00 durante o período escolar. As únicas exceções são as mensagens diretas e os alertas que visem a segurança do utilizador.

Cada jovem ou os próprios pais podem escolher ter um feed baseado nos algoritmos (ou não). Isto é, ver conteúdos segundo os seus gostos, interações e hábitos de navegação, e não de forma aleatória.

Para evitar comparações, os adolescentes vão deixar de ver quantos gostos ou reações tem cada publicação feita pelos próprios ou pelos outros utilizadores.

Já os filtros de maquilhagem extrema ou a simular rostos pós-cirurgia estética também vão estar bloqueados para os mais novos, para não "prejudicar o bem-estar dos jovens por incentivarem a comparação com os outros e uma baixa autoestima".

Todas as novas configurações podem permanecer em vigor entre os próximos cinco a 10 anos, assegurando que a idade mínima de acesso às redes é 13 anos com uma "verificação mais rigorosa".

A reforma da Meta nas suas redes sociais vai ser supervisionada e avaliada pelos 29 estados norte-americanos que avançaram com a ação judicial.

A acusação acredita, ainda, que a Meta sabe que há utilizadores abaixo dos 13 anos no Facebook e Instagram, o que viola os próprios termos de utilização destas redes sociais, e alega que a empresa coleciona informação privada destas crianças sem qualquer tipo de autorização parental.

A denúncia baseou-se no relatório de normas comunitárias da Meta, no qual a empresa publica as estatísticas sobre a prevalência de conteúdos inadequados nas plataformas.

Por exemplo, a Meta reportou que o risco de estes jovens cruzarem-se com conteúdos gráficos ou violentos era de 0,01% a 0,02%, mas, segundo o ex-funcionário, é entre 100 a 400 vezes superior ao número reportado.

O novo acordo prevê que as publicações de bullying, perturbações alimentares, suicídio e automutilação sejam submetidas a medidas de proteção mais fortes.

  • Fonte: Rádio Renascença
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