Tsunami de lama no Nepal: "Grande parte dos desaparecidos pode nunca ser encontrada"

  • 27/08/2026 17:34
  • Redação

Nelson Olim considera que as equipas de busca e salvamento enfrentam uma situação mais difícil do que em cenários de sismo, por exemplo.

A enxurrada de pedras e lama arrasou tudo no seu caminho e será muito difícil encontrar sobreviventes.

“As probabilidades de encontrar pessoas debaixo de escombros, neste tipo de cenários de aluvião ou de tsunami, as probabilidades de sobrevivência são muito baixas. Ao contrário do que acontece nos sismos, onde há uma relação de um morto para três feridos, neste tipo de cenários temos habitualmente nove mortos para cada ferido”, afirma o médico.

“Infelizmente, a experiência mostra que neste tipo de cenários grande parte daqueles que são dados como desaparecidos acabam por ser declarados mortos e nunca encontrados, que é outro drama”, sublinha.

Nelson Olim explica que outro problema passa pela falta de água potável e de abrigos para os desalojados.

“Temos para já a questão do abrigo. Estamos a falar de populações que vivem na montanha, onde o frio é extremo. Temos um segundo problema relacionado, neste momento, com a inexistência de água potável. Muita da água potável que essas populações consumiam vinha dos rios, que estão agora contaminados com lama e detritos.”

O especialista em medicina de emergência alerta para os doentes crónicos que vão deixar de ter acesso à medicação e para as infeções que podem atingir os sobreviventes das cheias rápidas.

“Os doentes crónicos ficam sem acesso à sua medicação habitual, mais os sobreviventes que de certa forma foram apanhados neste processo e que habitualmente desenvolvem, num futuro próximo, infeções respiratórias, infeções gastrintestinais, problemas cutâneos, etc”, sublinha.

Devido a outras catástrofes no passado, o sistema de resposta a catástrofes está relativamente “oleado” naquela zona do planeta.

“Apesar de tudo, este é um sistema que, por força das circunstâncias e do histórico dos últimos anos, acaba por estar bem treinado na resposta. Sendo que há uma série de países envolvidos, nomeadamente a China e a Índia. O sistema está mais ou menos oleado em termos de resposta e aquilo que se aprendeu nos últimos anos é que nestas situações, quando não podemos levar os doentes até aos hospitais, tentamos levar o socorro até o mais próximo das pessoas”, remata Nelson Olim.

  • Fonte: Rádio Renascença
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