"Devolveu-me a vida". Primeira cirurgia cerebral assistida por IA retira tumor com sucesso
- 27/08/2026 20:07
- Redação
A meados de maio deste ano foi feita história. O primeiro doente do mundo a ser submetido a uma cirurgia cerebral com assistência de Inteligência Artificial (IA) em tempo real teve um tumor removido com sucesso, anunciou o hospital universitário de Londres, no Reino Unido.
"Se os doentes não estiverem dispostos a participar em investigação, como é que os médicos aprender e a medicina evoluir?", respondeu sem hesitar quando foi convidado a experimentar a operação.
Foi numa dessas caminhadas durante a pausa de almoço que descobriu o tumor. Hibbert perdeu os sentidos e começou a ter convulsões na rua e, depois de fazer um TAC, os médicos revelaram que tinha um tumor não-maligno de 11 milímetros.
Este tumor estava "a crescer na glândula pituitária – um órgão do tamanho aproximado de um berlinde, localizado na base do crânio" – responsável por produzir hormonas essenciais no processo de crescimento, metabolismo e regulação de tensão arterial e temperatura corporal, lê-se na mesma notícia.
Como esta glândula é localizada perto do campo de visão, o homem começou a ficar tonto, extremamente cansado e tropeçava várias vezes.
À medida que o tumor foi pressionando os nervos óticos, a visão periférica foi-se estreitando.
Na operação, a ferramenta de IA analisou as imagens de uma câmara introduzida pelo nariz até à base do crânio por endoscópio, treinada com centenas de vídeos de remoções de tumores da hipófise.
Os cirurgiões conseguiram evitar vasos sanguíneos e nervos ocultos e desconhecidos no cérebro com maior segurança, já que a anatomia do cérebro tende a variar de pessoa para pessoa.
O tumor estaria escondido atrás de camadas de osso e de uma membrana resistente.
Com uma probabilidade de 25% a 50% de não ser possível remover o tumor na totalidade e uma probabilidade de 0,5% a 2% de lesionar um vaso sanguíneo de grande dimensão, o sucesso da operação foi mantido em segredo até quinta-feira, dia em que o paciente já estava num quadro de recuperação mais estável.
"Quando abri os olhos após a operação, senti que tinha uma visão de 360 graus. Já não via com tanta clareza há um ano. Devolveu-me a minha vida", celebrou Hibbert.