CONFAP quer escolas abertas durante todo o ano para ajudar famílias a conciliar férias e trabalho
- 28/08/2026 01:00
- Redação
A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) pretende apresentar ao Governo ainda este ano uma proposta para que as escolas estejam abertas durante todo o ano.
O objetivo é encontrar uma solução que permita às famílias conciliar a vida profissional com as férias escolares, numa altura em que muitos pais dispõem apenas de 22 dias de férias e em que são cada vez menos os avós disponíveis para ficar com as crianças.
A presidente da CONFAP, Mariana Carvalho, defende que é necessário encontrar uma resposta que envolva escolas, autarquias e a própria comunidade.
Para a presidente da CONFAP, a questão deve ser discutida com o Governo e constitui um dos desafios que a confederação pretende colocar em cima da mesa ainda este ano.
A proposta não prevê que os alunos tenham mais aulas durante o verão. A ideia é proporcionar outro tipo de experiências em contexto escolar, com atividades de carácter lúdico, recreativo e educativo, durante períodos em que os pais ainda estejam a trabalhar.
“Os alunos não estão todo o ano dentro da escola. Queria deixar isto bem claro”, sublinhou Mariana Carvalho, exemplificando com o facto de haver famílias em que um dos pais tira férias em julho, mas continua a trabalhar em agosto. "Deva haver uma maior articulação entre atividades profissionais, a vida familiar e também aqui a escola ser um apoio”, defende.
A solução teria de passar por uma articulação entre diferentes entidades e ser financeiramente acessível às famílias. Mariana Carvalho admite que estas atividades poderiam ter um custo, mas considera que seriam uma alternativa mais barata do que muitas das ofertas privadas atualmente disponíveis.
“É uma alternativa que é paga, mas que é um custo completamente diferente de um privado para duas semanas de férias”, explica.
A presidente da CONFAP aponta o exemplo dos campos de férias, que podem representar uma despesa de cerca de 400 euros, para duas semanas, para algumas famílias. A utilização das instalações escolares e a mobilização de técnicos e recursos das autarquias e das escolas poderiam, na sua perspetiva, reduzir significativamente os custos.
“Há aqui uma conciliação de recursos que é possível fazer, sem ter um custo do privado”, defende, lembrando que existem zonas do país onde praticamente não há alternativas para ocupar as crianças durante as férias.
A proposta da CONFAP não parte apenas de uma ideia teórica. Mariana Carvalho lembra que várias autarquias já desenvolveram programas de apoio às famílias durante o verão.
É o caso de São João da Madeira, onde existem atividades de verão destinadas aos alunos. A responsável rejeita a ideia de transformar a escola num simples espaço de permanência das crianças e sublinha que a intenção é criar programas específicos para os períodos de férias “não é um depósito para os filhos, para todo o ano letivo, não é isso”, sublinha, destacando que a autarquia consegue manter algumas escolas abertas durante o verão e desenvolver atividades para os alunos.
A CONFAP pretende, assim, aproveitar experiências que já existem no terreno e criar uma resposta mais abrangente, envolvendo escolas, municípios e outras estruturas da comunidade.
A proposta surge também num contexto em que os alunos portugueses têm um dos períodos de férias de verão mais longos da Europa. Segundo a comparação citada pela CONFAP, baseada numa análise da empresa francesa GSI a 40 países europeus, as férias de verão dos alunos portugueses são mais do dobro das dos alunos alemães e superiores às de mais de metade dos países analisados.
Para a CONFAP, mais do que discutir a redução das férias escolares, importa encontrar formas de garantir que esse período possa ser conciliado com a realidade profissional das famílias.