Resgates retomados no Tibete após lago baixar, mas risco de novas cheias mantém alerta
- 28/08/2026 03:07
- Redação
As operações de resgate no lado tibetano da fronteira entre a China e o Nepal foram retomadas depois de o nível da água de um lago formado por detritos ter descido ligeiramente, segundo a televisão estatal chinesa CCTV, citada pela BBC.
O transbordamento do lago tinha levado as autoridades chinesas a interromper temporariamente os trabalhos de socorro, devido ao risco de novas inundações na região já devastada pelas cheias repentinas de quarta-feira. Os níveis da água terão, entretanto, estabilizado e o transbordamento cessado, permitindo às equipas preparar o regresso às operações.
O lago formou-se depois de uma enorme quantidade de rocha, gelo, lama e outros detritos bloquear o curso de um rio na sequência do colapso de um glaciar. A acumulação de água criou uma barreira natural que representa um novo risco para as zonas situadas a jusante.
Do lado nepalês, as autoridades também tinham suspendido temporariamente as operações de resgate no distrito de Rasuwa, depois de terem recebido informação de que outro lago formado por detritos tinha começado a transbordar. O nível do rio estava a subir e moradores foram vistos a deslocar-se para zonas mais elevadas.
A situação permanece sob vigilância apertada pelas autoridades dos dois países, perante o risco de novas inundações, deslizamentos de terras e avalanches. A Reuters relata que a China mobilizou equipas de engenharia para avaliar o lago e estudar a evolução da massa de água.
Entretanto, as equipas de resgate continuam a tentar retirar mais de uma centena de trabalhadores presos num túnel de uma obra de uma barragem hidroelétrica, dois dias depois das cheias que devastaram várias zonas do Nepal.
O Governo nepalês indicou que 350 trabalhadores e habitantes locais que se encontravam retidos no mesmo túnel já foram retirados. As operações prosseguem para localizar e retirar as restantes pessoas.
O balanço das vítimas continua a aumentar. A polícia nepalesa confirmou, entretanto, 475 mortos, enquanto mais de mil pessoas continuam desaparecidas na sequência das cheias repentinas que atingiram a região fronteiriça do Nepal e o vizinho Tibete.
A tragédia ocorreu depois de um enorme fluxo de água, rochas, gelo, lama e outros detritos ter descido pelas redes fluviais dos Himalaias, provocando cheias repentinas e destruindo infraestruturas e comunidades inteiras.
As autoridades nepalesas e chinesas mantêm-se em alerta perante o risco de novos episódios de inundação e de outras catástrofes secundárias na região.
O Nepal decidiu não aceitar, para já, equipas estrangeiras de busca e salvamento na sequência das cheias repentinas que atingiram várias zonas do país e provocaram cerca de 500 mortos. A decisão foi confirmada esta sexta-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros nepalês, apesar das ofertas de assistência de vários países.
As autoridades garantem que as operações de busca e resgate estão a ser asseguradas pelas próprias forças de segurança do Nepal e que, neste momento, não consideram necessária a intervenção de equipas estrangeiras.
“A oferta de ajuda é natural. As nossas agências de segurança estão a realizar as operações de busca e salvamento. Por enquanto, não precisamos dessa ajuda”, afirmou Lok Bahadur Chhetri, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
A decisão surge numa altura em que centenas de pessoas continuam desaparecidas, incluindo cidadãos estrangeiros. A Coreia do Sul, que tem nove cidadãos desaparecidos e outros dez que ficaram retidos numa central hidroelétrica, já enviou uma equipa de resposta para o Nepal e prepara uma equipa especializada em operações de emergência.
Seul indicou que as autoridades nepalesas comunicaram que não estão, para já, a planear autorizar a entrada de equipas internacionais de salvamento. O Governo sul-coreano afirmou, contudo, que continuará a dialogar com Katmandu sobre a possibilidade de prestar assistência no terreno.
A Coreia do Sul anunciou ainda um milhão de dólares em ajuda humanitária, a canalizar através de organizações internacionais.
Segundo o Kathmandu Post, Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh manifestaram disponibilidade para enviar equipas de busca e resgate e pediram autorização ao Governo nepalês.
A maior devastação registou-se no distrito de Rasuwa, junto à fronteira com a China, onde as cheias destruíram localidades, danificaram infraestruturas e projetos hidroelétricos e provocaram numerosas vítimas.
A localização de Rasuwa, junto à região chinesa do Tibete, levou um antigo embaixador nepalês nas Nações Unidas a admitir que a sensibilidade da zona poderia ter pesado na decisão de Katmandu.
Dinesh Bhattarai considerou que o Governo poderá ter entendido que seria preferível evitar a presença de equipas estrangeiras numa área fronteiriça particularmente delicada.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros nepalês rejeita, contudo, essa interpretação. O porta-voz Lok Bahadur Chhetri garantiu que a decisão não está relacionada com a China, sublinhando que as equipas nepalesas estão atualmente a conduzir as operações de emergência.
As cheias repentinas atingiram várias zonas do país e provocaram uma das mais graves crises recentes no Nepal, deixando um elevado número de mortos e desaparecidos e destruindo estradas, pontes, habitações e infraestruturas essenciais.
[notícia atualizada às 8h40 de 28 de agosto de 2026, após a retoma das operações de resgate]