UEFA suspende boicote à FIFA, mas apresentará adversário se Infantino se recandidatar

UEFA suspende boicote à FIFA, mas apresentará adversário se Infantino se recandidatar

  • 28/08/2026 03:26
  • Redação

A UEFA comunicou, na quinta-feira, a suspensão, "a título provisório", do boicote das seleções nacionais europeias às competições da FIFA, incluindo o Mundial sub-20 feminino, em que Portugal vai participar. No entanto, compromete-se a encontrar uma alternativa a Gianni Infantino caso o ítalo-suíço se recandidate à presidência da FIFA.

A decisão chega depois de a FIFA ter confirmado à UEFA, por escrito, que o projeto de convidar investimento privado minoritário para a exploração dos direitos das competições do organismo que rege o futebol mundial tinha sido "irrevogável e permanentemente retirado" e que "não reaparecerá sob nenhuma outra forma, nome ou formato".

A UEFA avisa, contudo, que a suspensão do boicote "continuará sob constante revisão". É uma decisão provisória e que "poderá ser reconsiderada imediatamente se as circunstâncias assim o requererem".

"Embora a questão imediata da participação tenha ficado resolvida, a crise não foi. O abandono do projeto não apaga o engano, a intimidação e o abuso de poder que o tornaram possível. Nem restaura a confiança que se perdeu", sublinha o organismo que tutela o futebol europeu.

A UEFA garante, ainda, que não se trata de uma escolha entre boa governança e o desenvolvimento do futebol, nem de tentar ter maior poder dentro da FIFA: "É simplesmente uma questão de garantir que nenhuma parte do futebol mundial — grande ou pequena, aqueles com mais e aqueles com menos — está dependente do poder de um indivíduo."

O organismo reforça que o projeto proposto por Gianni Infantino, que entretanto recuou nas suas intenções, "expôs uma profunda falha de julgamento, um abuso de poder presidencial e uma conceção de liderança incompatível com os deveres do mais alto cargo do futebol mundial".

Nesse sentido, perseguirá "todas as avenidas institucionais, políticas e legais necessárias para assegurar reformas fundamentais", restaurar limites à autoridade presidencial e garantir que a FIFA "volta a ser governada como uma instituição, e não em torno de um indivíduo".

"O primeiro passo tem de ser uma revisão externa e verdadeiramente independente da FIFA Forward Enterprise, com acesso total a todos os documentos relevantes, comunicações e registos de decisões. A FIFA não pode investigar-se a si mesma e esperar que a comunidade do futebol simplesmente aceite as suas conclusões", salienta a UEFA.

O regulador máximo do futebol europeu vai ainda mais longe: "A confiança requirida para exercer o cargo de presidente da FIFA foi quebrada e não pode ser recuperada desistindo de uma proposta, emitindo garantias ou prometendo reformas depois dos factos. O futebol mundial precisa de nova liderança, capaz de reconstruir essa confiança."

"A UEFA vai, por isso, trabalhar com as confederações continentais, as associações-membro e a comunidade do futebol em geral — incluindo adeptos, jogadores, clubes, ligas e outros — para dar forma ao futuro da FIFA. Se o atual presidente da FIFA [Infantino] perseguir um novo mandato, a UEFA unirá forças com as suas confederações parceiras para oferecer às associações-membro uma alternativa credível — uma alternativa comprometida com a integridade, responsabilidade, desenvolvimento e verdadeira mudança institucional", lê-se.

Segundo o jornal britânico "The Independent", a UEFA está a preparar uma queixa-crime contra Gianni Infantino, um documento com 56 páginas. A eleição do próximo presidente da FIFA está marcada para 18 de março de 2027, no Congresso do organismo em Rabat, Marrocos.

A consequência imediata da suspensão do boicote da UEFA à FIFA é que as seleções europeias, incluindo Portugal, vão poder participar no Mundial sub-20 feminino, que arranca no início de setembro, na Polónia.

  • Fonte: Rádio Renascença
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