Cheias no Nepal afetaram mais de 90 mil pessoas. Cruz Vermelha alerta para novas enxurradas
- 28/08/2026 06:54
- Redação
Gonçalo Orfão, coordenador nacional de Emergência da Cruz Vermelha Portuguesa, sublinha que, para além das vítimas mortais, existe uma população muito significativa que vai precisar de apoio para recuperar alguma normalidade. “Temos um conjunto muito grande de população que precisa do apoio para fazer um retorno à normalidade”, afirma.
Muitas das comunidades afetadas encontram-se em zonas montanhosas e isoladas, onde a destruição das infraestruturas compromete ainda mais a capacidade de recuperação. “São pessoas que vivem em zonas já de si isoladas numa zona montanhosa, associada a economias locais”, explica o responsável.
Por isso, a assistência terá de ir além da procura de sobreviventes e da resposta imediata à emergência. Segundo Gonçalo Orfão, será necessário garantir bens alimentares e não alimentares, primeiros socorros, cuidados de saúde e apoio à recuperação das fontes de rendimento das populações atingidas.
“Além da parte de busca e resgate, obviamente, para procurar sobreviventes, também devemos focar nestas pessoas que já vão precisar quer de apoios de bens essenciais, quer sejam alimentares, quer sejam não alimentares, mas também de primeiros socorros, de saúde e, muito importante, pelo retorno de fontes de rendimentos”, afirma.
A situação continua a exigir vigilância devido ao risco de novas enxurradas, sobretudo junto à fronteira com o Tibete. A região atravessa a época das monções e as condições do terreno permanecem instáveis depois das cheias.
“Estamos a falar de uma época de monções, com uma chuva intensa, em zonas já de si montanhosas com uma grande instabilidade, onde é frequente existirem derrocadas e mesmo cortes de vias de acesso”, alerta Gonçalo Orfão.
O responsável considera que a própria dimensão da catástrofe deixou o território ainda mais vulnerável. “Depois de um desastre desta dimensão, existem zonas que foram literalmente fragilizadas”, afirma, acrescentando que “os riscos não foram completamente eliminados”.
As operações de emergência enfrentam ainda enormes dificuldades devido à geografia e à destruição das infraestruturas. “As zonas de orografia difíceis, as zonas montanhosas, difíceis de acesso, as estradas e desfiladeiros” estão entre os principais obstáculos, explica o coordenador da Cruz Vermelha Portuguesa.
Mais de 80 pontes foram destruídas, dificultando o acesso às comunidades afetadas. Perante este cenário, grande parte das operações de resgate e da assistência humanitária terá de continuar a ser feita por via aérea.
A médio prazo, será, contudo, necessário recuperar as ligações terrestres. “Vamos também ter que começar a criar corredores seguros por terra e recuperar todas estas vias de acesso que já de si são longas e demoradas”, afirma.
O responsável defende, por isso, um esforço prolongado e coordenado no terreno para garantir que a ajuda chega às populações que permanecem isoladas.
Perante a dimensão da emergência, a Cruz Vermelha Portuguesa lançou um apelo para a recolha de donativos destinados às vítimas das cheias no Nepal.
O apoio financeiro pode ser feito através do site da organização e será canalizado para a operação de resposta no terreno, através da Cruz Vermelha nepalesa e da estrutura internacional da organização.
“A Cruz Vermelha Portuguesa abriu um apelo de emergência, está disponível no nosso site em cruzvermelha.pt, em que qualquer pessoa pode apoiar financeiramente toda esta operação”, explica Gonçalo Orfão.
O responsável garante que os donativos terão impacto direto na resposta à emergência no país, através da coordenação do Movimento Internacional da Cruz Vermelha.
As cheias repentinas, provocadas por uma enorme quantidade de água, lama, gelo e detritos que desceram das zonas montanhosas dos Himalaias, devastaram várias localidades e provocaram graves danos em estradas, pontes, habitações e infraestruturas hidroelétricas.
As autoridades continuam as operações de busca e salvamento, numa altura em que mais de mil pessoas permanecem desaparecidas. Entre os desaparecidos estão cidadãos estrangeiros, incluindo três portugueses.