Pedro Duarte admite financiamento público do jornalismo como "antídoto” para a desinformação

Pedro Duarte admite financiamento público do jornalismo como "antídoto” para a desinformação

  • 28/08/2026 07:51
  • Redação

O antigo ministro dos Assuntos Parlamentares, que tutelou a comunicação social, defendeu, esta sexta-feira, um modelo de financiamento que garanta um jornalismo forte, livre para ser o contraponto da informação que circula nas redes sociais, e que na opinião de Pedro Duarte, está a “agudizar de forma vertiginosa” a crise da comunicação social.

“Nós temos de garantir um jornalismo livre, independente do poder público, como é evidente, senão também não faz sentido. Com critérios de rigor e de transparência. Não é fácil o modelo de execução, de financiamento, mas se conseguirmos lá chegar, talvez todos possamos, dessa maneira, começar a salvar a democracia e encontrar o antídoto para aquilo que é este mundo perigoso em que todos estamos mergulhados” defendeu Pedro Duarte.

No painel da manhã da Universidade de Verão, que juntou Adolfo Mesquita Nunes e Pedro Duarte para falarem sobre “Algoritmos: Democracia fragilizada?”, o autarca do Porto considera que para travar a desinformação que vive nas redes sociais e a ditadura dos algoritmos é necessário um jornalismo rigoroso e sustentável. O autarca do Porto considera que muitas das empresas de comunicação social estão a seguir o caminho errado quando adotam o modelo económico das redes sociais, a economia da atenção.

“Isto é uma perversão, porque ainda por cima eu acho que aí a comunicação social vai sempre perder, não vai conseguir acompanhar, porque apesar de tudo ainda tem algum jornalismo e o jornalismo em si tem critérios, felizmente, critérios deontológicos e outros, de rigor e afins, que as redes sociais não têm” disse.

O antigo ministro deu o exemplo de que muitos órgãos de comunicação social apostam no número de cliques, na atenção que geram” e para ele essa estratégia duplica o problema, porque não garante a sustentabilidade e a democracia perde uma ferramenta importante nesta altura que seja capaz de fornecer “uma informação que se distinguisse precisamente da tal economia da atenção”.

Questionado sobre o que o Governo pode fazer para travar a desinformação que circula nas redes sociais, Pedro Duarte acredita que a solução passa por um jornalismo forte e rigoroso.

“Acho que a bóia de salvação pode ser o jornalismo” referiu Pedro Duarte alertando para o perigo de se nada for feito a democracia poder estar em risco.

“Se queremos que a democracia sobreviva, se calhar temos de olhar de outra maneira para aquilo que deve ser o modelo de sustentabilidade no jornalismo”, avisou.

“E a história mostra-nos que as democracias não são um sistema que nasceram com a humanidade, muito longe disso. Já experimentamos muitas outras coisas que fizeram muito mal à humanidade e eu espero que não tenhamos de passar por isso até um dia voltarmos à democracia” disse.

Ao longo de duas horas discutiu-se como é que o algoritmo consegue captar a atenção dos utilizadores das redes sociais e manipula de cera forma a informação que todos consumimos.

Adolfo Mesquita Nunes autor do livro “Algoritmocracia” referiu como a informação que chega até cada um pode estar deformada até sobre as medidas defendidas por um partido político.

“Há quanto tempo não ouves uma coisa sensata vinda do Partido Socialista? Ai, pois realmente, mas eles também dizem coisas sensatas. Não aparecem na nossa bolha. Na nossa bolha só aparece a coisa ridícula” disse responsabilizando também quem consome a informação apenas nas redes sociais.

“Nós passamos a ver o outro de uma forma completamente deformada. A desinformação é um enorme perigo e é um enorme perigo desde logo por nós, por causa de nós. Nós temos partidos políticos que mentem sistematicamente e as pessoas continuam a votar. As pessoas gostam muitas vezes da mentira. As pessoas aceitam a mentira” referiu.

Outro tema que foi trazido a debate pelos alunos foi o combate ao populismo e Pedro Duarte, sem nunca falar no Chega, diz que os outros partidos não devem seguir o mesmo caminho, mas antes fazer diferente: “Devemos diferenciar-nos pela positiva, e portanto é dessa maneira nós trazermos uma visão distinta para aquilo que é a atuação na nossa vida pública, política” disse Pedro Duarte.

  • Fonte: Rádio Renascença
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