Notas altas nos privados podem refletir desigualdade ou “inflação de valores”, alerta especialista

Notas altas nos privados podem refletir desigualdade ou “inflação de valores”, alerta especialista

  • 28/08/2026 08:16
  • Redação

“Ou estamos a falar do facto de as escolas privadas terem alunos de contexto socioeconómico muito alto ou, de facto, há uma inflação de valores", diz.

O especialista sublinha que o rendimento dos pais e a escolaridade da mãe estão entre os principais fatores associados ao desempenho escolar. Famílias com mais recursos conseguem, por exemplo, pagar explicações ou proporcionar outras condições de apoio fora da escola.

Miguel Herdade defende, por isso, que o sistema público deve investir mais nos alunos de contextos desfavorecidos, nomeadamente através de apoio suplementar.

“Se conseguíssemos organizar no sistema público um sistema à escala nacional de explicações, poderia ser uma excelente solução para este problema", diz.

Nos últimos anos, as classificações têm vindo a subir, mas o especialista alerta que essa tendência não significa necessariamente que os alunos estejam a acumular mais conhecimento.

O também diretor da Fundação Jerónimo Martins recorda que, durante a pandemia, houve uma "inflação das notas mais ou menos assumida" e que o nível de exigência poderá não ter regressado ao que existia até 2020.

“O grau de exigência diminui, as notas aumentam. Mas os conhecimentos dos alunos não têm necessariamente de ter acompanhado esse aumento de notas", salienta.

A dificuldade, explica, está em comparar os exames nacionais de diferentes anos. Existem, no entanto, avaliações internacionais permitem uma leitura mais consistente da evolução dos conhecimentos e deverão ajudar a perceber a qualidade das aprendizagens.

Miguel Herdade alerta mesmo para uma tendência internacional presente nestes relatórios, que aponta para que pela primeira vez a nova geração possa "ter conhecimentos menores do que a geração anterior".

O especialista sublinha que a literatura aponta para benefícios em colocar alunos desfavorecidos em ambientes onde os colegas têm expectativas académicas mais elevadas.

O fenóneno de comparação pode ajudar a melhorar o desempenho, ao mostrar que percursos como a entrada na universidade também estão ao seu alcance.

Para Miguel Herdade, reduzir esta segregação e dar mais oportunidades a quem parte de uma posição menos favorável é essencial para combater uma desigualdade educativa que, considera, "pouco mudou nas últimas décadas".

  • Fonte: Rádio Renascença
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