"Já tinha desistido". Mãe reencontra filho de oito anos que trepou às árvores nas cheias no Nepal

"Já tinha desistido". Mãe reencontra filho de oito anos que trepou às árvores nas cheias no Nepal

  • 28/08/2026 16:09
  • Redação

O amigo alinhou na ideia e os dois treparam árvores de uma floresta perto da escola, sem medo, mas como poderiam ser acudidos?

Aflita com o paradeiro de Gale e do filho mais novo, a mãe Matti Maya Tamang, de 28 anos, percorreu vários abrigos da região tanto quanto podia, mas sentia que ia perdendo a esperança perante as dimensões da tragédia.

"Conseguia ver que tudo estava a ser arrastado. Comecei a aceitar que os meus dois filhos já não estavam vivos", contou Tamang à agência Reuters. "Tudo o que podia fazer era chorar e não conseguia recompor-me."

Com as estradas alagadas e aldeias irreconhecíveis, a mãe conseguiu alugar um carro para procurar os filhos pelos arredores da escola.

"Já não era possível perceber onde ficava a escola. Havia apenas água, pedras e lama por todo o lado", descreveu.

Fez quilómetros em diferentes hospitais e abrigos, encontrou o filho mais novo, mas a procura por Ghale parecia que não iria dar em nada no meio de milhares de desaparecidos. "O nome do meu filho não constava em nenhuma lista", lamentou.

Mas, por sorte, a mãe de Ghale conheceu uma das jornalistas da Reuters que filmou o seu filho na esperança de ser encontrado pela família, num pequeno hospital no vizinho distrito nepalês de Nuwakot.

Quando soube da notícia, Tamang mal conseguia acreditar: "Já tinha desistido de pensar que os encontraria e, depois de encontrar o mais velho, senti que a minha vida tinha voltado."

A duas horas de viagem de carro da sua casa, a mãe encontrou esta sexta-feira o menino de oito anos com a perna direita partida, hematomas e arranhões na cara, mas, a brincar, desvalorizou os ferimentos: "Oh, ele é sempre um miúdo traquinas. Esta não é a primeira vez que parte um osso."

Pelo menos 90 mil pessoas foram afetadas pelas cheias, sendo 17 mil destas crianças, segundo uma estimativa da Cruz Vermelha Internacional e da Organização das Nações Unidas (ONU).

O gabinete português adiantou ainda, esta sexta-feira, que foram localizados em segurança outros dois dos portugueses que se encontravam desaparecidos.

Já o número de desaparecidos duplicou esta quinta-feira para mais de dois mil no Nepal e no Tibete após a trágica enxurrada de lama, de acordo com os dados oficiais das autoridades nepalesas.

As cheias repentinas foram provocadas por uma enorme quantidade de água, lama, gelo e detritos que desceram das zonas montanhosas dos Himalaias, devastaram várias localidades e provocaram graves danos em estradas, pontes, habitações e infraestruturas hidroelétricas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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