Lewis Hamilton na Ferrari é “para ajudar Leclerc”: Tiago Monteiro revela palavras do diretor de equipa

Lewis Hamilton na Ferrari é “para ajudar Leclerc”: Tiago Monteiro revela palavras do diretor de equipa

  • 29/08/2026 03:45
  • Redação

Tem sido Hamilton a liderar o esforço do lado da Ferrari na temporada de 2026. O britânico é o único entre todos os pilotos na F1 a pontuar em todas as corridas, e tem sido consistentemente mais rápido que Leclerc, além de ter vencido pela primeira vez com a equipa italiana. Uma reviravolta, depois da temporada tórrida de 2025.

“Eu achei um grande risco, sinceramente”, conta. “Nessa noite, ele [Vasseur] disse-me que não queria necessariamente a velocidade final, apesar de ele acreditar que ele ainda tinha, mas era toda a experiência e a estrutura profissional do Hamilton para ajudar o Leclerc”.

“Ele diz ‘o Leclerc para mim é um dos melhores pilotos, um dos mais rápidos, mas não tem ainda cabeça, não está ainda profissionalmente estruturado para ser um verdadeiro campeão do mundo e preciso de alguém com a experiência do Hamilton para o ajudar’”, continua Tiago Monteiro, apostando que o heptacampeão pode ter na Ferrari “um futuro um pouco à Alonso”.

Já Pedro Sousa acredita que Hamilton está numa “posição melhor que [Michael] Schumacher quando voltou à Mercedes depois da Ferrari”. O alemão, campeão cinco vezes pela Ferrari e duas vezes pela Benetton, saiu da F1 no fim de 2006, mas voltou em 2010 para três temporadas com a Mercedes, tempo em que a equipa cresceu e foi preparando a adoção dos motores híbridos em 2014 — o início de anos de domínio da marca alemã.

“Eu acho que a Ferrari, se calhar, está em melhor posição nesta altura que a Mercedes estava naquela, e eu acho que o Hamilton também está em melhor estado, a nível físico e psicológico”, pelo que o engenheiro não descarta que Hamilton tenha “um resultado melhor do que se julga”.

“Depende um bocado do carro”, admite Pedro Sousa, engenheiro de estruturas na McLaren, Red Bull, Haas, Williams e Cadillac entre 2000 e 2025. “Não se chega ao nível dele sem ser um piloto fenomenal, e ele adaptou-se ao carro, demorou um bocadinho. (...) Nunca foi um piloto que eu apoiasse, mas estou a gostar do Lewis porque eu acho que ele o ano passado estava a sofrer um bocado, e eu pensei que a passagem para a Ferrari até fosse um desastre”.

Há meses que a imprensa italiana indica que a Ferrari vai estrear na próxima corrida, o Grande Prémio de Itália, a segunda atualização do motor deste ano — que, aumentando o tamanho do turbo, aumentará tanto a eficiência como a potência máxima. O impacto final na performance dos carros vermelhos é desconhecido até à qualificação em Monza, até porque a Mercedes também pode introduzir, pela primeira vez, melhorias de performance no motor (que a McLaren também utiliza).

Lewis Hamilton está em terceiro lugar no campeonato, empatado em pontos com George Russell, que tem duas vitórias (contra uma de Hamilton) em Grandes Prémios em 2026. Ambos estão a 53 pontos de Kimi Antonelli — ou seja, a mais de duas vitórias do jovem italiano da Mercedes.

No GP dos Países Baixos, o piloto espanhol tornou-se no primeiro desde Graham Hill, em 1974, a marcar pontos na F1 após completar 45 anos de idade. Quão mais longe pode o campeão de 2005 e 2006 chegar?

“Só ele é que sabe e já me surpreendeu tanto que pode continuar a surpreender, assinando para mais um ano ou dois, e continuar a ser a ser eficaz e rápido”, admite Tiago Monteiro, piloto na F1 nos anos dos títulos de Alonso. “Ele estava lá antes de eu entrar e continua lá, e continua a fazer brilharetes, por isso é um caso único”.

“Ele não é um piloto normal, faz parte daqueles poucos que são realmente casos muito especiais”, diz o português sobre Alonso, que também já venceu as 24 Horas de Le Mans, e de Daytona, e já participou no Rally Dakar. “Eu sempre gostei muito dele, sempre me inspirei muito nele, na sua abordagem, na sua forma de ver as coisas, na sua frieza, no seu profissionalismo, na sua dedicação, e continua a impressionar-me, por isso eu diria que sim, que ele é capaz de mais”.

“A única decisão vai ser da cabeça dele, se ele tem realmente vontade, porque é um esforço incrível”, sublinha Tiago Monteiro. Mas pode o facto de Alonso ter sido pai recentemente influenciar a decisão? “Não é isso que o vai fazer tomar a decisão, vai ser mesmo performance (...). O filho vai trazer até mais alegria”.

“Nunca foi um dos pilotos se calhar mais rápido em qualificação, mas a nível de corrida, se calhar não há muito piloto que consiga manter o ritmo dele”, aponta Pedro Sousa. “É daqueles pilotos que consegue ir a 95% o tempo todo. É uma garra completamente impressionante. Sabe-se defender como poucos”.

O engenheiro, que passou pela McLaren, Red Bull, Haas, Williams e Cadillac, acredita que uma saída de Alonso obriga a Aston Martin “ter alguém para fazer o trabalho dele com conhecimento”, já que “o outro piloto da Aston Martin [Lance Stroll] se calhar não é propriamente a ajuda que eles precisam”.

Na Tertúlia Bola Branca, Tiago Monteiro e Pedro Sousa debateram ainda a performance de Lando Norris e as hipóteses de a McLaren incomodar a Mercedes, assim como a luta por prioridade entre Kimi Antonelli e George Russell, e o próximo passo na carreira de Noah Monteiro, filho do ex-piloto.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: