Paulo Portas: “Mais importante que limitar idade nas redes é submeter as plataformas digitais à justiça civil e penal”

Paulo Portas: “Mais importante que limitar idade nas redes é submeter as plataformas digitais à justiça civil e penal”

  • 29/08/2026 08:15
  • Redação

Numa altura em que muitos países da Europa onde se inclui Portugal adotam legislação para proibir o acesso dos jovens às redes sociais, Paulo Portas considera que mais importante é submeter as tecnológicas à justiça penal, mas também civil porque implica a perda de muito dinheiro.

“Muito mais importante que um limite de idade para mim é a clarificação de que elas são submetidas à justiça civil e penal e até em particular à civil porque o que lhes dói é o dinheiro que deixam de ganhar à custa da vida de outros”, referiu Paulo Portas.

O antigo líder do CDS acredita que “o tempo dourado das plataformas digitais nos Estados Unidos, onde nasceram, está a chegar aos seus limites” e considera inaceitável a carta divulgada ontem pelos gigantes tecnológicos, responsáveis por modelos de Inteligência artificial, a alertar para possíveis ataques informáticos levados a cabo pelos modelos que eles comercializam.

“Eles acabam de anunciar que o mundo tem que se preparar para uma frequência enorme de ataques cibernéticos de modelos de inteligência artificial, que decidiram fazê-lo sem perguntar a ninguém sem decisão humana, e não há um regulador que lhes diga suspendam as vendas desses modelos até terem soluções que superem esse risco”, questionou Paulo Portas que acredita que no futuro as plataformas digitais vão começar a ser mais escrutinadas.

Portas contou que, em pouco tempo, as redes conseguiram mobilizar mais de um milhão de jovens sem que os dois governos se tivessem dado conta e deve servir de aviso para Madrid e Rabat.

“Durante um mês houve, no essencial, quatro grupos organizados no Telegram no Whatsapp e na parte final no TikTok com endereços exteriores a Marrocos, no Paquistão, na Turquia e na Argélia que mobilizaram um milhão e cem mil jovens marroquinos e que depois tinham acesso a uma categoria mais logística e organizativa paga para saberem quando, onde e de que forma podiam dar o salto e isto passou despercebido aos governos de um lado e do outro", referiu. "É um enorme aviso aos governos de um lado e de outro.”

Sobre a forma como Espanha e Marrocos geriram esta crise, Paulo Portas diz que o governo de Madrid podia ter tentado encontrar uma solução para acolher os jovens junto da sociedade civil e até da igreja católica.

“Os governos devem ter a humildade de perceber que a sociedade civil e nomeadamente as organizações espirituais e sociais das igrejas, em particular da igreja católica, são muito eficientes, muito mais do que os governos, se a vez de estarem a discutir por quantas autonomias vão distribuir os menores, tivessem a tratar com instituições sociais quantas poderiam ser salvas e educadas por essas instituições estaríamos bem melhor, mas não dá likes”, ironizou.

O antigo ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros abordou ainda a guerra entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão e temas sobre a Europa. Paulo Portas também avisou que é urgente inverter a tendência do envelhecimento da população, onde a média de idades ronda os 44 anos, e em Portugal 47.

Portas diz que é preciso ter coragem e apostar em várias políticas públicas: “Queremos começar a discutir o problema do envelhecimento das nossas sociedades com cabeça-tronca e membros, ou queremos likes e radicalismos? É porque o problema não se resolve com um tweet. Fica exatamente na mesma e daqui a um ano estará pior. Envolve muitas políticas públicas, habitação, impostos, trabalho, família, migrações. E é preciso que estejam alinhados nas estrelas. Porque é muito difícil inverter um declínio demográfico”, avisou Paulo Portas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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